por
Alfredo Teixeira
É um dos mais emblemáticos edifícios da Baixa portuense, mas apenas a fachada resiste à degradação. Foi teatro e depois cinema, uma das salas de maior sucesso nos tempos áureos em que ir ao cinematógrafo era um acontecimento. Os filmes deixaram de ser projectados há 15 anos e a Solverde, empresa concessionária de jogo e proprietário do espaço, colocou o imóvel à venda e já há alguns interessados. O Águia d'Ouro vale três milhões de euros.
A vontade em salvar o cinema começou a ganhar contornos após a recuperação do Cinema Batalha, situado mesmo ao lado, em plena praça com o mesmo nome. Na Internet circula mesmo uma petição que, depois de subscrita pelo maior número de pessoas, será entregue ao presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, e a Manuel Violas, administrador do Grupo Solverde.
Recorde-se que esta empresa chegou a mostrar interesse na recuperação do imóvel, caso obtivesse autorização para instalar um casino no Porto, aproveitando o precedente aberto em Lisboa com a Estoril Sol a conseguir licença para abrir uma casa de jogo em troca da recuperação do Parque Mayer.
As negociações acabaram por não ter resultados positivos e a lei nunca foi alterada, mantendo-se o figurino de dois casinos nos concelhos topo do Grande Porto, um em Espinho e outro na Póvoa de Varzim.
Perante este cenário, a Solverde ficou sem qualquer projecto para o Águia d'Ouro. "Apenas resta a fachada, não se trata de nenhum edifício e não temos qualquer interesse naquele espaço. Está à venda", afirmou ao DN Fernando Reis, um dos administradores da empresa. O cinema está à venda por três milhões de euros e surgiu já "uma meia dúzia de interessados", a quem é dada uma credencial com intenção de compra, para que junto da Câmara do Porto possam ser informados dos parâmetros de intervenção autorizados para o local.
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