por
Soumodip Sarkar
Professor associado, Departamento de Gestão, Universidade de Évora
Outro dia, num jantar, alguém perguntou- -me o que é "inovação"? A verdade é que, se houvesse um prémio para uma palavra que captura a imaginação dos académicos, políticos e media, uma forte candidata deveria ser a palavra "inovação". Associada com "empreendedorismo", deixa a promessa de abrir todos os portões que possibilitam melhorar a produtividade e promover o crescimento económico.
Em termos muito simples, inovar significa ter uma ideia nova ou, por vezes, aplicar as ideias de outros de uma forma original e com eficácia. Neste sentido, todos somos inovadores. O desafio está em saber quando é que a inovação, tanto de processo como de produto, ao nível da empresa, está ligada ao lançamento de novos produtos ou à criação de novos mercados.
Apesar de a inovação estar intimamente relacionada com a adopção de tecnologias, não tem que ser necessariamente assim. Se o mercado a aceitar, e a empresa tiver sucesso na tradução da ideia para o produto que vende, então isso também é uma inovação. No mundo da moda, um fato escandaloso (que ninguém vai algum dia vestir) é considerado inovador. De facto, o mundo da moda é conduzido constantemente para a inovação, que tem muito a ver com o apelo ao choque.
Então o que é a inovação? Sucintamente, a inovação é a exploração de novas ideias que encontram aceitação no mercado, incorporando novas tecnologias, processos, design e melhores práticas. Quando a Pringles criou a batata frita ondulada fez uma pequena alteração num produto já existente. A mudança foi feita quando a empresa se apercebeu de que uma superfície ondulada tornava mais fácil para os consumidores comerem a batata frita com molhos. Isto é apenas um entre muitos exemplos em que pequenas mas extremamente eficazes alterações são feitas em produtos existentes. O aparente falhanço do Segway, considerado há apenas um par de anos como a maior inovação dos últimos anos, e que prometeu mudar o futuro dos transportes, relembra-nos que a inovação não é ser apenas "novo", mas sim sobre duas coisas fundamentais: o mercado tem que aceitar a inovação e a inovação tem que ser sustentável. A história está repleta de exemplos de grandes ideias que falharam no mercado e nalguns casos tiveram aceitação no mercado apenas por alguns momentos.
Hoje a inovação é vista por muitos como um botox. Aplica-se e a economia volta para o caminho da convergência! O caminho para se tornar uma economia verdadeiramente inovadora é longo e tortuoso. É de primordial importância que políticas de promoção da inovação sejam postas em prática, o que implica promover e encorajar a excelência em todos os campos da vida. Uma das melhores formas de promover a inovação, na minha opinião, é promover a competição. A competição traz novas ideias e é o maior catalisador da mudança. A chave para a inovação no nosso país pode ser abrir as portas da competição em todos os campos da vida.
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