por
António Perez Metelo
Redactor principal
Enquanto a economia não transpira força e capacidade criadora, investidores e consumidores, acossados por cada nova crise político-militar regional, vivem com o credo na boca. Enquanto os fundamentos económicos permanecerem frágeis nas suas bases de sustentação internas, qualquer vento de volatilidade monetária, comercial ou financeira parece abalar as bases periclitantes de uma ténue retoma.
O teatro de horrores da escalada de preços das matérias-primas, em particular do petróleo, causa novos calafrios aos cronistas do andamento das bolsas, sempre que um novo máximo dito histórico é ultrapassado.
Mas o impacto na economia de acontecimentos trágicos, como aquele que se vive actualmente no Médio Oriente, acaba por ser bem menor do que aquilo que, à primeira vista, pode aparentar. Desde logo, porque efeitos pesados, como a travagem continuada do crescimento do produto, só se dão com variações de preços igualmente pesadas, quando se prolongam no tempo. Em seguida, o aprovisionamento faz-se de forma bem menos agitada, o que tem permitido adquirir o petróleo, por exemplo, ao longo do primeiro semestre deste ano, a um preço médio de 61,5 dólares por barril, enquanto a sua cotação média se situou nos 64,7 dólares.
E, finalmente, ao impacto destas subidas não é indiferente a dimensão da economia que pressionam. O preço do barril de brent tem de ser relativizado pela progressão do PIB. Calculado esse preço relativo, constata-se que, face ao índice 100 para 1979, o ano do segundo e maior choque petrolífero, o valor correspondente tinha caído para 28,4 dólares, em 2003. A partir daí, os valores passam para 33,4, em 2004, 44,7, em 2005 e, finalmente, 53,9 dólares, na primeira metade de 2006. O que terá refreado em meio ponto percentual a expansão do produto, mas está longe de constituir-se como o seu maior constrangimento.
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