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Portugal 'tem de perder a vergonha' de ser genuíno

por

Ilídia Pinto  

Tradição, hospitalidade, diversidade ambiental e pequena dimensão geográfica são algumas das vantagens competitivas de que Portugal dispõe na área turística e que tem de aprender a explorar devidamente. Quem o diz é Edson Athayde, especialista em marketing e publicidade, que considera que o País precisa de criar uma imagem consistente no mundo e, sobretudo, de dizer ao turista aquilo que ele quer ouvir.

Coube a Edson Athayde fazer uma análise das campanhas promocionais do turismo português na 3.ª Conferência Internacional em Hotelaria e Turismo, subordinada ao tema "Promoção e Branding dos Destinos Turísticos". Considerando que "a imagem de um país já tem de existir antes de ser criada", este responsável defendeu que Portugal precisa de aprender a comunicar "o que tem de diferenciador e que atrai os turistas", deixando de ter vergonha de se assumir como "um país pequeno, hospitaleiro, com boas praias e que preserva as tradições".

A questão, sublinha Edson Athayde, é que ainda está "meio confuso" o que Portugal quer transmitir com as suas campanhas de turismo. "Se o turista gosta de viajar, ficar numa praia agradável onde vê uns pescadores pela manhã e está disposto a gastar alguns milhares de dólares para o fazer, porque não? Não é isso que vai transformar Portugal num país de pescadores", defende. E acrescenta: "É verdade que incomoda as classes mais cultas, que têm dificuldades em conviver com essas caricaturas, mas é isso que vende um destino turístico. As pessoas que viajam para a Jamaica não querem saber se o país cresceu ou não economicamente. Vão atrás de praia, e é um dos destinos que mais crescem no mundo."

Para Edson, o turismo é, em si, um tema suficientemente abrangente para ser tratado em exclusivo. "O país enquanto atractivo de investimento, pólo industrial, símbolo de modernidade, tecnologia, etc., é uma questão que um dia será realidade, mas, até lá, o turismo não precisa de ficar à espera", defende. A Espanha, adianta, resolveu muito bem essa questão, na década de 90, construindo a marca da paixão. "E não se preocupou em potenciar um preconceito, um estereótipo, que o resto do planeta tinha em relação à sua história, cultura e presença, tal como a Grécia não se incomoda em se publicitar enquanto destino de ilhas muito interessantes e divertidas, com casinhas brancas e telhados azuis", acrescenta.

Portugal deveria recorrer ao clima, hospitalidade, diversidade ambiental e mesmo dimensão geográfica, que permite conhecer muitas coisas em pouco tempo, diz. "Mas isso é tudo o que tem vergonha de dizer. Que é pequeno, que é bom para ir à praia... E por isso diz de forma envergonhada ou por meias palavras, e não tira o devido proveito". Porque, "enquanto fica a meio caminho tentando inventar alguma coisa, ou se reinventar, o tempo vai passando e outros países e destinos vão encontrando a sua lógica".


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