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Silêncio e simplicidade um ano depois dos "actos bárbaros" do 7 de Julho

por

Hugo Bordeira

Londres  

Um ano depois dos atentados, Londres viveu ontem um dia de homenagens. O trânsito nas ruas era intenso, a agitação nos transportes também, os estabelecimentos comerciais estavam apinhados de gente e sentia-se o burburinho próprio de uma cidade habitada por oito milhões de pessoas. Mas os londrinos não ficaram indiferentes ao reencontro com as feridas do passado recente.

O presidente da Câmara de Londres, Ken Livingstone, e a ministra da Cultura, Tessa Jowell, estiveram às 08.50 na estação de metro de Kings Road, onde, em silêncio, depositaram flores num pequeno memorial às 52 vítimas mortais dos quatro atentados de há um ano. À sua volta, dezenas de pessoas acompanhavam esta homenagem.

Foi aqui, na linha de Picadilly entre Russel Square e King's Cross, que Germaine Lindsay detonou a terceira bomba, matando 26 pessoas e ferindo 340. Na altura, o reverendo Nicholas Wheeler estava na paróquia de Old Saint Pancras, quando a explosão o levou a acorrer ao metro para ajudar a resgatar os feridos e sobreviventes. "Esta zona é muito diversificada e na altura vi muitos jovens das mais variadas origens solidários naquela hora de aflição", relembra ao DN.

Poucos segundos antes, já tinha havido duas explosões: a primeira provocada por Shehzad Tanweer, na Circle Line, entre as estações de Liverpool Street e Aldgate, que matou sete pessoas e feriu mais 171; a segunda foi espoletada na Circle Line por Mohammad Sidique Khan, pouco antes de o comboio chegar à paragem de Edgware Road, deixando seis mortos e 163 feridos.

O último engenho explodiu às 09.47, ao lado de Travistock Square, onde será erigido um memorial. Hasib Hussain, último suicida, estava no piso superior do autocarro quando detonou a derradeira bomba, levando consigo 13 pessoas e ferindo outras 110. O laço comum entre os bombistas, todos britânicos aparentemente integrados, era o islão. O que levanta a eterna questão: porquê?


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