por
Leonor Matias
A localização do novo aeroporto internacional de Lisboa na Ota não é uma questão terminada. Os defensores da construção do aeroporto na margem Sul do Tejo voltaram a colocar o tema na ordem do dia, existindo mesmo a convicção de que a Ota não é uma decisão definitiva e que o projecto "pode regressar à estaca zero". A zona compreendida entre Rio Frio e Poceirão e o Campo de Tiro de Alcochete são os locais defendidos para a instalação da futura estrutura aeroportuária. O assunto já foi abordado com o Governo, que deu sinais de estar aberto a discutir alternativas à Ota.
O lobby a favor doaeroporto namargem Sul é liderado por vários professores do Instituto Superior Técnico, deputados e responsáveis da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento do Transporte Ferroviário (ADFER), empresas da construção civil, entre outras figuras ligadas a várias actividades económicas. Fernando Nunes da Silva, professor do IST, disse ao DN que "é possível travar a Ota". E instalou-se mesmo a convicção que "de há dois meses para cá que a Ota não vai avançar". Esta ideia começou a ganhar forma após as sessões que a ADFER realizou em Maio, trazendo novamente para a discussão pública a instalação do novo aeroporto na Ota. José Manuel Viegas, também professor do IST, diz que "existe uma alternativa à Ota, e localiza-se na margem Sul. É aí que se deve procurar". E cita a zona do Poceirão como a localização a privilegiar.
João Cravinho e Oliveira Martins, ambos ex-ministros das Obras Públicas, continuam a defender a Ota, mantendo o argumento que chumbou Rio Frio - o choque com aves. Situação que também existe na Ota, mas em menor quantidade. Paulino Pereira, professor do IST e dirigente da ADFER, disse ao DN que em termos de engenharia é possível construir um aeroporto em qualquer local, e desvaloriza o impacto com as aves. Qualquer aeroporto, afirma, "é um paraíso para as aves". Existem várias técnicas para as afastar das placas aeroportuárias, como o recurso a aves de rapina e corujas. Também existem aeroportos na Europa que recorrem a canhões para manter as aves afastadas da zona de impacto com as aeronaves. A Portela já dispôs deste sistema.
Arménio Matias, da ADFER, considera que a Ota "não reúne a concordância e é um processo viciado". Para este responsável, "o campo de tiro de Alcochete é a solução mais razoável". O campo de tiro pode ser deslocado para Beja. "Não é recomendável que fique próximo de centros urbanos, como é o caso."
Fonte oficial do gabinete do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações disse ao DN que não vão "comentar as alternativas que estão a ser estudadas", e que o calendário previsto para a Ota está a "ser cumprido". Contudo, Mário Lino adiou para Setembro a apresentação do novo modelo regulatório para o sector aeronáutico, que inclui a avaliação do impacto do novo aeroporto no valor da ANA (gestora dos aeroportos nacionais), e se a empresa será ou não privatizada no âmbito do projecto da Ota. Outra dúvida que se instalou foi o facto de a região Norte de Lisboa não ter sido contemplada com uma plataforma logística. Ou seja, a Ota não foi considerada no âmbito do projecto Portugal Logístico, desenvolvido pelo Governo, com o objectivo de dotar o País de uma rede de plataformas contribuindo para o desenvolvimento económico nacional. Enquanto o Poceirão surge como a grande plataforma da região metropolitana de Lisboa.
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