por
Marina Almeida e Sónia Correia dos Santos
Nós os jornalistas éramos os guardiões da verdade. Agora devemos estar lá para animar, para dar a palavra. Podemos guiar, em caso algum controlar. Não pedimos às pessoas para cobrir os acontecimentos, para substituir o jornalista, mas a partilha de opiniões, a troca."
A ideia de Steve Yelvington, vice-presidente para os conteúdos e estratégia do grupo norte-americano Morris (que publica mais de 60 jornais diários, não diários e gratuitos, detém 30 estações de rádio e uma editora) foi expressa no último dia do 59.º Congresso da Associação Mundial de Jornais (WAN), que ontem terminou em Moscovo.
O advento das tecnologias digitais de fotografia e vídeo, catapultadas pelas acessíveis páginas pessoais na Internet (os blogues), ditou uma viragem na imprensa e nos media em geral. Foram videoamadores que trouxeram a força do tsunami na Ásia ao mundo inteiro, mas, de acordo com Dan Gilmor, autor do livro Nós os Media, "o jornalismo dos cidadãos chegou à superfície" com os atentados de Julho em Londres.
No encontro da WAN, Mark Glaser, da PBS, apresentou o relatório "Tendências nas redacções 2006", que aponta para um novo tipo de chefe de redacção, mais apto do ponto de vista tecnológico e capaz "de integrar o desafio de publicar artigos enviados pelos leitores."
O jornalismo dos cidadãos introduz ainda, nas palavras de Yelvington, uma "hiperproximidade". Entre os exemplos apresentados em Moscovo, surgiu o do diário espanhol El Correo. Todos os dias reserva duas páginas para os contributos dos leitores e tem uma equipa fixa de seis jornalistas a tratar esta informação. Só em Março recebeu 5200 contributos.
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