por
Paula Brito
Publicitar é chamar a atenção. E para chamar a atenção em televisão quanto mais alto, melhor. Pelo menos esta parece ser a estratégia dos canais generalistas. Queixas no Instituto do Consumidor, na Deco ou na associação de consumidores de media Acmedia não existem, segundo apurou o DN, mas a verdade é que das conversas entre telespectadores ressalta uma constatação: o som dos blocos publicitários das televisões está mais alto que o dos filmes, das telenovelas ou dos concursos, por exemplo. A situação piora com uma autopromoção da estação - mais estridente.
Não existe legislação - Lei da Televisão ou Código da Publicidade - que estabeleça limites ao som de qualquer conteúdo (publicitário incluído) emitido pela televisão. Os estúdios que sonorizam os anúncios e as televisões rejeitam qualquer interferência no seu volume.
"A SIC não 'puxa' nenhuns valores", explica a estação, acrescentando que se os mesmos não estiverem de acordo com as normas "são devolvidos à produtora para serem corrigidos."
Do lado das produtoras de som, Manuel Faria, da Índigo, uma das mais conceituadas do mercado e responsável por campanhas como a da Galp Energia para o Euro 2004 e para o Mundial, é peremptório: "Para nós [estúdios], existe um standard. A Índigo grava todas as bobinas para emissão em TV com um pico máximo admissível de -8 dB (decibéis, tendo em conta que o zero é o som de conforto e acima disso é mais alto), depois cada televisão faz o que quer com o spot."
Manuel Faria salienta a complexidade da questão, uma vez que tentou há quatro anos sentar à mesma mesa editoras e televisões para se criar um protocolo com os mesmos padrões de som, mas sem sucesso. "Não há regulação e neste meio impera o bom senso, pelo menos da parte dos estúdios de som", conclui.
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