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Jardim antecipa conflito com Governo de Sócrates

por

Filipe Santos Costa  

Alberto João Jardim decidiu não esperar pela proposta de alteração da Lei das Finanças Regionais para declarar guerra ao Governo de José Sócrates - o seu discurso no encerramento do congresso do PSD-Madeira foi o tiro de partida para um conflito anunciado. Na reunião social-democrata, que voltou a aclamar Jardim como líder incontestado, o presidente madeirense propôs uma reflexão sobre "se a Madeira é ou não auto-viável e auto-sustentável".

Hugo Velosa, deputado do PSD eleito pela Madeira, enquadra as palavras de Jardim numa conjuntura de "dificuldades de relacionamento entre o Governo Regional e o Governo da República", chamando a atenção para duas questões em particular: as "tentativas permanentes de criar dificuldades em matéria fiscal ao Centro Internacional de Negócios [vulgo, zona franca] e as notícias sobre a alteração da lei de finanças regionais, no sentido de a tornar mais restritiva". Neste quadro, Velosa não tem dúvidas: "Quando se começa a ouvir isto, os madeirenses têm o direito de ficar de pé atrás".

Terá sido, então, "de pé atrás" que Jardim deixou a pergunta: "É a Madeira auto-viável?". Mas o presidente madeirense também se apressou a afastar tentações independentistas: "Com a qualidade de vida que nós atingimos quer dentro do Estado português, quer dentro da União Europeia, obviamente que não íamos para aventuras como os cidadãos de Cabo Verde ou de Timor Leste".

É precisamente esta a questão que o economista Miguel Beleza sublinha na resposta à pergunta de Jardim (ver textos em baixo): a Madeira só pode manter o actual nível de vida se continuar a receber verbas de Lisboa, porque "gasta muitíssimo mais do que produz".

Maximiano Martins, deputado do PS eleito pela Madeira, tem a mesma perspectiva: "A economia madeirense é muito frágil, tem bases muito pouco sólidas para se falar de auto-suficiência." Para este economista, que foi gestor do PEDIP entre 1986 e 2002, o discurso de Jardim "não passa de fait-divers político. Se Jardim acha que a Madeira é auto-suficiente devia retirar as devidas consequências na discussão da lei de finanças regionais."


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