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Área construída no País cresceu 42% em 15 anos

por

Rita Carvalho  

Em 15 anos, a área construída no território nacional cresceu 42%. Algarve, Porto e Lisboa foram as regiões que mais contribuíram para este aumento. Um acréscimo que se fez à custa do desaparecimento da vegetação natural e das zonas agrícolas situadas em redor das grandes cidades. As conclusões são de um estudo intituladoCorine Land Cover2000 - o único retrato actual da ocupação do solo português -, que analisou as transformações entre 1985 e 2000.

Uma tendência que se terá mantido nos últimos cinco anos porque, acreditam os ambientalistas, não houve políticas para contrariar esta expansão desenfreada, nomeadamente nas zonas naturais. Um exemplo avançado é a aprovação de empreendimentos turísticos de grande envergadura no litoral alentejano.

"Este trabalho dá-nos uma fotografia do País", explica ao DN Marco Painho, director do Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação (ISEGI) e um dos coordenadores do projecto. O Corine faz um retrato das utilizações do solo em Portugal, através do levantamento de 44 categorias, como tipos de floresta, culturas, zonas ardidas, urbanizadas, costeiras, vegetais, entre muitas outras. O resultado é um mapa (com uma escala de 1/100 mil) onde se vêem as alterações que o solo foi sofrendo ao longo de 15 anos e a sua ocupação no ano de 2000. Neste período, Portugal recebeu os fundos comunitários que potenciaram a "era do betão".

O Corine Land Cover 2000é exigido pela Agência Europeia do Ambiente e liderado pelo Instituto do Ambiente. Os resultados estão disponíveis numa aplicação na Internet que pode ser consultada por qualquer pessoa. Será feita uma actualização até 2006.

A expansão da construção (mais 42%) é a grande conclusão desta análise. Realidade que não surpreende, mas que surge agora confirmada e cartografada. Ao longo das décadas de 70, 80 e 90, milhares de pessoas saíram das zonas rurais e vieram para as cidades, levando as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto a crescerem de forma acelerada e desordenada. Na primeira o aumento foi de 37%, mas na zona Norte chegou aos 48%.


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