por
Jornalista rubencarvalho@mail.telepac.pt
Ruben de Carvalho
O recorrente debate sobre a Comuni- cação Social e o funcionamento da democracia afunilou nas últimas semanas em torno do papel das chamadas agências de comunicação.
A existência deste tipo de empresas é tudo menos uma novidade, mesmo em Portugal, e ninguém até agora, para tanto existam razões ou não, entendeu que a sua acção fosse a origem de todos os males de que padecerá a informação. O problema adquiriu inesperadas proporções quando o Expresso afirmou que cerca de 70 por cento dos temas abordados pelos principais órgãos terá origem no material fornecido pelas referidas agências.
Este ângulo de abordagem levanta duas questões.
Uma primeira é a grosseira caricatura que assim se constrói dos jornalistas e responsáveis editoriais: ou as redacções se encontram efectivamente ao serviço das tais agências (e, sublinhe-se, subentende-se que a troco de indevidos benefícios pessoais) ou então são constituídas por um patético conjunto de ingénuos que inconscientemente assim se deixam manipular. Tal caricatura só prejudica um esforço sério de compreensão do que é hoje a efectiva e complexa realidade profissional, ideológica, económica e política da Comunicação Social.
A segunda é a de que este quadro deixa de fora uma questão essencial: a teoria conspirativa das agências tenta explicar porquê e como se fala do que se fala - mas explica porventura a razão dos silêncios, quantas vezes politicamente mais determinantes, com os quais igualmente se manipula a informação?
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