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Crianças obesas dormem pouco e vêem muita TV

por

Elsa Costa e Silva  

As crianças obesas portuguesas dormem pouco, vêem muita televisão e são filhas de pais com iguais problemas de peso. O retrato é traçado pelo estudo realizado por uma equipa de investigadores coordenada por Cristina Padez, da Universidade de Coimbra, e Pedro Moreira, da Universidade do Porto, segundo o qual 31,3% das crianças são obesas ou têm excesso de peso .

Mais de 4500 crianças, entre os sete e os nove anos, foram estudadas e os resultados apontam ainda para o facto de a obesidade - cujo dia de luta se assinala hoje - atacar mais os filhos únicos. E os factores de risco começam bem cedo: alto peso à nascença está também associado a esta "epidemia do século XXI". Mas há boas notícias: entre três a seis meses de amamentação e pais mais educados são factores que parecem proteger as crianças desta doença.

Em Portugal, perto de um terço das crianças tem excesso de peso, o que coloca o País como o vice-campeão europeu da obesidade. De acordo com o estudo português, as raparigas tendem a ter mais problemas de excesso de peso que os rapazes, sendo que há mais crianças obesas por volta dos oito anos e meio/ nove do que aos sete.

Uma evidência deste estudo - que é coincidente com outras investigações em obesidade infantil - é que o excesso de peso dos pais é um grande factor de risco para os filhos. Aliás, um fenómeno mais evidente quando é a mãe que sofre de obesidade. Uma questão que os investigadores explicam como sendo cultural, já que em Portugal é normalmente a figura materna que toma as decisões relativamente à nutrição da família. Para além das compras, é também responsável pela confecção das refeições. Assim, "as mães têm maior controlo sobre as características importantes do estilo de vida dos filhos".

Isto significa ainda, defendem os investigadores, que as intervenções a nível da obesidade infantil têm que ser feitas no âmbito de uma abordagem a toda a família. E que esse trabalho deve ser realizado cedo, sobretudo em agregados cujas crianças enfrentam um elevado risco de obesidade, por terem pais com esse problema ou por terem tido peso alto à nascença.


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