por
Helena Garrido
A ansiedade por demonstrar que o desemprego está a descer tem contribuído para desacreditar as estatísticas e a recolha de dados, como em finais dos anos 80 aconteceu com a inflação. Há um excesso de nervosismo por parte do Governo na demonstração de uma retoma que, embora seja visível em alguns indicadores, é e vai continuar a ser sentida por muito poucos durante algum tempo.
Corremos neste momento o risco de discutir metodologias de medição do desemprego e atitudes em relação aos números, em vez de olhar para o que de facto se está a passar na economia. Nada que não seja um cansativo hábito em Portugal: muita discussão sobre a forma, pouca atenção ao conteúdo.
No domínio da forma é lamentável que o ministro das Finanças tenha dado a entender na Assembleia da República que os números do desemprego apurados pelo Instituto Nacional de Estatística, e que deverão ser revelados hoje, poderão indicar também uma descida do desemprego. Uma mensagem que esteve também ontem subjacente com a divulgação da queda do desemprego registado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Estamos mais uma vez a ferir instituições que devem ser independentes, garantindo assim a credibilidade das estatísticas que produzem.
A redução no número de desempregados registados nos centros de emprego - a forma administrativa de avaliar o mercado de trabalho - justifica um optimismo muito moderado. Vamos deixar de parte os problemas de mudança de método, que impedem uma total confiança na comparação com o ano anterior, e olhemos para os números.
Em Abril, a maior parte da queda de 2% no número de desempregados deve-se a reduções no grupo de pessoas que tem seis anos ou menos de escolaridade. Ao mesmo tempo, regista-se uma subida da ordem dos 17% nos licenciados.
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