por
João Morgado Fernandes
Timor-Leste vive novamente dias agitados e, nos próximos tempos, Portugal poderá de novo ser chamado a assumir uma atitude, num contexto bem diverso do que se verificava nas vésperas do referendo que, há sete anos, conduziu à independência.
Tudo é diferente desta vez. A maioria dos portugueses já terá ultrapassado o complexo colonial e já nem temos a tirania indonésia como aglutinador da vontade colectiva.
Timor é hoje um país independente e os problemas que atravessa não têm tanto a ver com a desestabilização feita a partir do exterior, como os seus dirigentes tanto gostam de repetir, mas com aspectos relativamente previsíveis, como seja a dificuldade que uma elite formada na guerra, nas montanhas e no exílio tem quando confrontada com a normalidade da paz e o desafio de construir algo. Isto já para não falar do normal jogo político, ali eventualmente exacerbado por divisões de ordem étnica e religiosa.
Aos acontecimentos das últimas semanas - que incluíram rumores de golpe de Estado, sublevações militares, sequestros de ministros e um generalizado sentimento de pânico em Díli - segue-se, por estes dias, um congresso do principal partido timorense, a Fretilin, que poderá clarificar (ou deteriorar...) a correlação de forças na governação, mas que, eventualmente, não resolverá o problema de fundo da estabilidade do país.
Num cenário político em que ambição e inabilidade parecem andar de mãos dadas, a instrumentalização de sectores militares poderá colocar novamente o país à beira do caos.
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