por
Sofia Jesus
Tritão, a maior lua de Neptuno, há muito que desafia as convenções do sistema solar. O facto de este enorme satélite orbitar o planeta - em sentido contrário ao da rotação do gigante gasoso - tem intrigado os cientistas. Um estudo publicado ontem na revista Nature parece vir explicar a misteriosa captura do astro: Tritão tinha um companheiro... mas Neptuno separou-os.
De acordo com o cenário agora desenvolvido pelos investigadores Craig Agnor e Douglas Hamilton, Tritão era originalmente membro de um sistema binário de objectos que orbitavam o Sol. O seu destino mudou quando o par se aproximou de Neptuno e as forças gravitacionais do enorme planeta puxaram Tritão para junto de si, separando-a do seu companheiro celeste.
O que acontece, explicam os cientistas, é que a órbita de um binário geralmente faz com que um dos membros se desloque mais devagar do que o outro. A interrupção desse sistema deixa cada um dos objectos com movimentos residuais, que podem resultar na mudança permanente dos seus companheiros de órbita. É este mecanismo que, segundo os investigadores, terá dado a Tritão a hipótese de seguir qualquer tipo de órbita em torno de Neptuno.
Com características semelhantes a Plutão e uma massa superior em 40% planeta, Tritão percorre uma órbita inclinada e retrógrada. Há outras assim no sistema - como algumas pequenas luas de Júpiter e Saturno -, mas são todas muito menores que Tritão.
"Descobrimos uma solução plausível para a velha questão sobre o modo como Tritão chegou a esta órbita peculiar. Além disso, este mecanismo introduz um novo caminho para a captura de satélites por planetas, que pode ser relevante para outros objectos do sistema solar", comentou Craig Agnor, da University of California.
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