por
Ana Pago
Os fóruns radiofónicos e televisivos chamam à praça pública diferentes mentalidades e pontos de vista, apelam a uma espontaneidade que pode ser positiva ou negativa, assentam numa dinâmica que, sempre imprevisível, acarreta o risco do embaraço. "Mas são úteis, funcionam como uma espécie de termómetro social importantíssimo. Acabar com eles por medo do imprevisto seria profundamente negativo", afirma ao DN o director de informação da Antena 1, João Barreiros, falando com base no funcionamento do fórum Antena Aberta.
O debate sobre os fóruns torna- -se, de resto, pertinente na sequência do insulto em directo à jornalista Marta Atalaya, quando apresentava o programa Opinião Pública na SIC Notícias, na passada quarta-feira.
A apresentadora tinha começado a conduzir o fórum, esperando uma discussão aberta em torno do rendimento de inserção social, quando o primeiro telespectador em linha lhe lançou a frase que iria chocar a estação de Carnaxide: "Era para dizer que a senhora é boa como o milho e se eu posso bater uma p...... enquanto a senhora fala ao telefone."
Apanhada de surpresa, Marta Atalaya procurou manter a calma e continuou a emissão, apoiada nos comentários solidários dos intervenientes que se seguiram no Opinião Pública. Quanto aos jornalistas ligados aos fóruns e ouvidos pelo DN, procuraram desmistificar a ideia de que a prática de intervenções obscenas é frequente nos debates em directo.
"Um programa deste género depende muito da boa fé dos ouvintes (ou telespectadores). Regra geral, quem participa quer mesmo ser ouvido e não tem interesse em fingir ou em desrespeitar as regras. Mas é óbvio que os imprevistos acontecem", reitera Manuel Acácio, na TSF há 14 anos, seis dos quais a conduzir o Fórum da casa. "E nesse caso é muito difícil, porque trabalhamos sem rede: as pessoas em casa ouvem tudo ao mesmo tempo que eu", explica.
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