A Associação Nacional de Empresas Lutuosas (ANEL) acusa a Igreja de estar a impedir o livre acesso às capelas mortuárias anexas aos templos católicos, uma vez que está a concessionar a gestão desses espaços a uma única empresa, a Servilusa.
"Já não podemos usar os espaços da Igreja que bem queremos para velar os nossos entes queridos", declarou, em conferência de imprensa, Carlos Almeida, presidente da ANEL, referindo-se aos seis centros funerários detidos pela multinacional em Lisboa. "Mas sabemos que existe vontade de alargar o negócio ao Porto. A Igreja foi seduzida pelo lucro fácil", acrescenta.
Até agora, as agências funerárias poderiam usar qualquer capela, pagando à Igreja 60 euros por serviço. "Este já era um totoloto para a Igreja, que tinha uma receita aproximada de cinco milhões de euros por ano", acusa Carlos Almeida.
A entrada no mercado da Servilusa, em 2001, veio alterar este panorama. Através de protocolos com as paróquias, a Servilusa assegura as obras de recuperação, a manutenção e a gestão das capelas, pagando, em troca, uma quantia variável e não revelada. Com espaços novos ou remodelados e vários serviços extras (cafetaria, limpeza, segurança), os centros geridos pela Servilusa praticam preços que podem ir até aos 377 euros por dia apenas pelo velório. Além disso, embora possam ser usados por todas as empresas, as 40 agências da Servilusa têm, obviamente, um desconto de 50%, podendo por isso praticar preços mais acessíveis aos utentes. "E existem outras formas de nos vedar o acesso, por exemplo, dizendo que as salas maiores estão ocupadas", acusa Carlos Almeida.
Ontem mesmo, a ANEL, que representa 260 agências funerárias de todo o país (60 das quais na capital), entregou uma denúncia na Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) alegando que as agências funerárias não têm competência para gerir centros funerários. Uma acusação que faz rir Paulo Carreira, da Servilusa: "Não tem qualquer fundamento. Todos os nossos centros estão registrados e já foram vistoriados."
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