Três centenas de embarcações, representando praticamente todas as classes da náutica de recreio e desportiva, protagonizaram, ontem, o maior desfile alguma vez realizado no Tejo, uma iniciativa que assinalou os 150 anos da Associação Naval de Lisboa (ANL), o mais antigo clube náutico da Península Ibérica e o nono mais antigo em todo o Mundo.
Com os estatutos aprovados, em 1856, por decreto do rei D. Pedro V, a ANL viu a passagem do seu 150.º aniversário igualmente assinalada ao mais alto nível, com a presença do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que assinou a sua primeira presença do mandato num evento de carácter desportivo.
Ex-remador, o Presidente da República manifestou o seu entusiasmo pelo número de embarcações presentes, assinalando a importância do reforço da vocação marítima e desenvolvimento das actividades náuticas. Saudado com uma salva de 21 tiros, disparada a bordo da Sagres, e com a passagem dos F-16, da Força Aérea Portuguesa, Cavaco Silva, felicitou a direcção da ANL, "pelo contributo que tem dado para a prática do desporto náutico" e sublinhou: "Gostaria de ver o Tejo, tal como outros rios de Portugal, com mais velas e mais barcos a remo. Fui praticante de remo e tenho pena de ver o nosso Tejo com tão poucos barcos quando comparado com outros países que têm menos tradição náutica".
Sagres, Creoula e Vega representaram a Marinha de Guerra, deixando um toque de elegância clássica no desfile, que contou igualmente com a caravela Vera Cruz - relembrando a herança com mais de quinhentos anos - enquanto as diversas classes de veleiros e embarcações a remos evoluíam na corrente, cumprindo um percurso, a montante do rio, entre a Torre de Belém e Alcântara.
Como nota de curiosidade, refira-se que além de velejadores e remadores de vários clubes, até a Transtejo se associou à efeméride, encerrando o desfile com um cacilheiro histórico. * Com JAB
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