por
Emanuel Graça e Sérgio Aníbal
Os trabalhadores de Lisboa ganham, em média, mais 10% do que os seus homólogos no Porto. As conclusões são do sexto estudo salarial publicado pela consultora Hay sobre a Península Ibérica, que, pela primeira vez, permite comparar as diferenças salariais entre as duas regiões portuguesas.
Segundo os dados obtidos, referentes a 2005, a área em que se encontra o fosso mais gritante é nas tecnologias da informação, onde as diferenças salariais entre Lisboa e o Porto são quase de um quarto (22%). Segue-se o sector da contabilidade e finanças (14%) e as vendas e o marketing (12%). Só na engenharia e construção civil é que a diferença de ordenados entre as duas cidades é inferior a um décimo: fica-se pelos 5%.
As divergências salariais entre Lisboa e Porto tendem a aumentar com a experiência, conclui também o estudo da Hay, que envolveu 15 mil pessoas e refere-se aos salários brutos anuais auferidos. Por exemplo, se um programador informático em início de carreira (dois a cinco anos de experiência) ganha 21 mil euros em Lisboa, no Porto fica-se pelos 17,5 mil euros - uma diferença de 16,6%. No entanto, o mesmo profissional, caso tenha uma experiência superior (cinco a dez anos), já pode ver essa margem saltar para os 29,7%, auferindo um salário médio de 35 mil euros na capital, enquanto no Porto obtém apenas 24,6 mil euros.
Outra tendência relaciona-se com a especialização: na maioria dos casos, quanto mais especializada a mão-de-obra, maior a diferença de ordenados entre Lisboa e Porto. Por exemplo, enquanto um contabilista de experiência superior a dez anos em Lisboa ganha mais 11,1% do que no Porto (36 mil euros contra 32 mil), no caso de um director financeiro com os mesmos anos de profissão, esse diferencial salta para 20% (60 mil euros contra 48 mil).
Apesar de não considerar estes valores surpreendentes, a consultora Hay realça a dificuldade de calcular os ordenados em Portugal. Para isso contribui a utilização de vários elementos salariais além do salário- -base (caso dos subsídios) e a utilização de outras formas de pagamento como despesas e ajudas de custo.
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