por
José Mário Silva
O presidente da Academia das Ciências de Lisboa, José Pina Martins, reagiu ontem com veemência a uma notícia do DN, segundo a qual o aperfeiçoamento do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (lançado há cinco anos, sob a égide da Academia e com chancela da Verbo) estaria comprometido por falta de verbas. Para Pina Martins, as queixas de João Malaca Casteleiro, coordenador da equipa de sete pessoas responsável pela nova versão do Dicionário, não fazem sentido.
"O prof. Malaca Casteleiro recebeu muito dinheiro da Academia, relativo a direitos de autor da primeira versão, com o objectivo de melhorar uma obra a que vários académicos conceituados de Coimbra apontaram lacunas. Mas em vez de concretizar esse objectivo, a sua equipa dedicou-se a um outro dicionário, de cariz comercial, que nada tem a ver com os interesses da Academia." Considerando que este "desvio" configura uma situação de "abuso", Pina Martins requereu mesmo uma auditoria à tutela (Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior).
Apesar da insatisfação crescente com o trabalho de Malaca Casteleiro, o cargo que este ocupa na Academia - presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia - não está em risco. "Não o queremos castigar", garante Pina Martins. "Queremos apenas que cumpra o que prometeu e visivelmente não cumpriu."
Manifestando surpresa, Malaca Casteleiro contrapõe que a Academia sempre esteve a par das actividades paralelas da sua equipa. "O trabalho num dicionário escolar, com 50 mil entradas lexicais e 1800 páginas, pensado para as necessidades específicas dos alunos, nunca nos desviou do aperfeiçoamento do Dicionário principal. Esse projecto foi aprovado em Conselho Administrativo, a 29 de Junho de 2005, numa votação em que Pina Martins ficou em minoria. Mesmo contrariado, o presidente sempre soube o que se passava. Tenho recibos e cheques assinados por ele que o comprovam."
Para Malaca Casteleiro, a polémica deve-se ao facto de o referido dicionário escolar ter sido entregue à Texto Editores. "Se fosse publicado pela Verbo, não haveria problema nenhum..." O certo é que a Verbo, alegando direitos de propriedade intelectual sobre o trabalho realizado pela equipa, já interpôs providências cautelares contra a Texto, inviabilizando a publicação da obra e a resolução do impasse financeiro.
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