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sociedade

Mortes nas estradas devem-se a erro humano

por

Ângela Marques  

Oerro humano explica nove em cada dez acidentes com mortos nas estradas portuguesas. Um estudo da Brigada de Trânsito da GNR apresentado ontem revelou que o excesso de velocidade foi responsável por 30% dos acidentes mortais em 2005 e as infracções rodoviárias por 23%. Para a GNR, a educação é fundamental. Para as escolas de condução, o problema resolvia-se se "um candidato que acabasse de obter a carta não pudesse guiar carros com determinada cilindrada".

Para Jordão Félix, director do centro de exames da Associação Portuguesa de Escolas de Condução, "os condutores são formados para não cometer infracções mas logo que começam a guiar alteram o compor- tamento 200%". Por isso, "eles sabem que estão a proceder mal e persistem". Os condutores mais jovens são uma preocupação para as escolas, que entendem que "não se devia dar um carro que chega aos 200 km/hora a um miúdo de 18 anos."

Analisados os 903 acidentes com vítimas mortais registados em 2005, 91% tiveram origem em factores humanos, apenas 6% se deveram às condições das estradas e 2% aos veículos. Contactado pelo DN, Manuel João Ramos, da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, lamentou que este estudo "desresponsabilize entidades" e pareça "legitimar o que interessa à GNR, que é o reforço dos meios de fiscalização", esquecendo que "em cada desastre há um acumulado de responsabilidades".

Manuel João Ramos alertou ainda para "o risco de manipulação política dos estudos como este", que ignoram a qualidade das estradas do País. "Com estes resultados, não é preciso investir na redução dos pontos negros na estrada, porque a responsabilidade dos acidentes parece ser sempre dos condutores", disse.

Entre os mais de 900 acidentes, a principal causa apontada pela GNR foi o "excesso de velocidade", responsável por 274 choques. A "infracção" foi identificada como responsável por 213 acidentes e a "distracção" em 102 casos. Ao "comportamento do peão" deveram-se 50 acidentes mortais, à "inexperiência" 48 e às "falhas de percepção" 45. A "imprudência" causou 28 acidentes mortais e a "doença súbita" 27.


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