O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Freitas do Amaral, reafirmou ontem a necessidade de se poder recorrer à força militar contra o Irão, embora só depois de esgotada a via negocial.
"[A utilização da força] devia ser considerada como a última das últimas soluções, só depois de esgotadas as vias diplomáticas e as vias das sanções económicas que o Conselho de Segurança das Nações Unidas poderá impor ao Irão se assim o entender", afirmou Freitas do Amaral, em declarações à Rádio Renascença. "Mas nem sequer estamos a contemplar a fase das sanções, quanto mais a fase de uma qualquer actuação militar. Em qualquer caso, terão sempre que passar pelo Conselho de Segurança", sentenciou o MNE, pouco antes de partir para uma visita oficial à Arábia Saudita.
Em meados de Março, à margem de uma reunião ministerial da UE em Salzburgo, o MNE admitira que a crise em torno do programa nuclear do Irão poderia ter um desfecho semelhante ao do Iraque: "Que pode haver um processo semelhante pode, mas eu esperaria que não fosse assim, que desta vez fosse respeitado o Direito Internacional."
As palavras de ontem do MNE suscitaram reacções do PP, do BE e do PCP, com o dirigente comunista Ângelo Alves a manifestar a rejeição do recurso à força, independentemente de ser legitimada pela ONU. O líder parlamentar centrista, Nuno Melo, disse receber "com agrado" a posição do ministro e o BE criticou o ministro por ter "colocado na agenda" a hipótese de uma intervenção militar no Irão, ainda que como "último recurso".
Sobre a visita a Riade, o MNE disse à Lusa que pretende "ouvir da boca dos dirigentes sauditas [financiadores do Hamas] o que pensam do conflito no Médio Oriente". "Tem de haver diálogo, tolerância e compreensão para evitar crises, no respeito pelas diferenças de cada um. Não há razão para nos convencermos de que é inevitável um conflito entre o Ocidente e o Islão."
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