Se alguma certeza existe hoje sobre os efeitos na saúde das populações mais directamente afectadas em 1986 pela radiação de Chernobyl é que não existem grandes certezas. É o veredicto de Dillwyn Williams e Keith Baverstock, dois especialistas europeus que, na edição de hoje da revista Nature, defendem estudos epidemiológicos alargados nas regiões mais contaminadas para se perceber de uma vez por todas qual é o verdadeiro retrato da situação.
Até que isso seja feito, garantem os dois peritos, os números da sinistra herança continuarão a ser esgrimidos consoante os interesses e a desconfiança da opinião pública em relação ao nuclear manterá a sua tendência ascendente.
Quase 20 anos depois (cumprem-se na terça-feira) do pior acidente nuclear civil de sempre, não existe um número definitivo de vítimas mortais causadas pela tragédia ou pela exposição radioactiva que daí resultou.
No ano passado, um primeiro relatório global, da responsabilidade da ONU, sobre os seus efeitos na saúde das populações das zonas mais afectadas estimava que o número de vítimas mortais (por cancro, sobretudo) não deverá exceder os quatro mil.
As reacções não se fizeram esperar. Várias ONG ambientais, como a Greenpeace, vieram a terreiro contestar essa contabilidade, argumentando que não estavam a ser incluídos outro tipos de doenças. Aquela organização internacional já avançou aliás, um número dez vezes superior àquele de vítimas mortais.
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