por
Susana Salvador
Refugiados
O Presidente do Chade, Idriss Deby Itno, anunciou ontem o corte das relações diplomáticas com o Sudão, que acusa de apoiar os rebeldes de Frente Unidade para a Mudança (FUC, em francês), que na véspera dirigiram uma ofensiva falhada contra a capital. Os combates em N'Djamena resultaram na morte de 370 rebeldes e 30 soldados, segundo o Governo, que não revelou contudo o número de vítimas civis.
"Após o conselho de ministro desta manhã [ontem], decidimos romper unilateralmente as relações com o Sudão, que continua a armar os mercenários contra o regime chadiano", disse Deby, perante centenas de pessoas reunidas frente ao palácio presidencial. O Chefe do Estado ameaçou ainda expulsar os cerca de 200 mil refugiados sudaneses que estão em campos no Leste do Chade, caso a comunidade internacional não encontre até fim de Junho uma solução para o conflito no Darfur.
Na quinta-feira, o Governo já tinha denunciado uma "agressão programada a partir de Cartum contra o Chade", imediatamente desmentida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros sudanês, Lam Akol: "O que se passa no Chade é um assunto interno e nós não temos nada a ver com isso." Por seu lado, o Sudão acusa N'Djamena de apoiar a rebelião na região do Darfur.
Na capital chadiana, a situação parece ter voltado ao normal, apesar de a presença militar ser ainda notada, relata a correspondente da AFP. A ofensiva do FUC, iniciada domingo a partir da fronteira Leste, foi parada na madrugada de quinta-feira já na capital. Segundo o ministro da Administração do Território, general Mahamat Ali Abdallah, os combates em N'Djamena provocaram cerca de 400 mortos. Há ainda uma centena de militares feridos e 287 rebeldes foram feitos prisioneiros.
As autoridades do Chade continuam a celebrar mais uma vitória contra a rebelião, a menos de um mês das eleições - boicotadas pela oposição, mas de acordo com o porta-voz da FUC na Europa, Abdel Maname Mahamat Khattat, os rebeldes não foram derrotados, tendo apenas efectuado uma "retirada táctica". À Radio France Internationale (RFI) declarou que estes se encontram a "40 km da capital".
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