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Novos espaços dão colorido à Baixa

 

Pouco a pouco vão surgindo sinais de rejuvenescimento da Baixa. Embora não haja ainda sinais óbvios da requalificação que a Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) Porto Vivo idealizou para a cidade - cuja primeira fase decorre até 2011 -, e as estatísticas confirmem o êxodo populacional, têm nascido nos últi- mos meses projectos de jovens empreendedores que dão mais colorido à zona histórica. A par da chegada de alguns novos moradores, que se mudaram de malas e bagagens para o centro da Invicta, o comércio também se revitaliza - lentamente, mas já com novas filosofias.

É no conjunto de ruas próximas à Praça Carlos Alberto que a diferença é visível para quem passa. O Café Lusitano, a loja de delicatessen Frutos da Terra, a livraria temática de gastronomia Garfos e Letras, o restaurante-bar Gira-Pratos, o espaço multidisciplinar Sem Mais nem Menos, a loja Maria Vai com as Outras ou o Almada 555, são apenas alguns dos projectos que chegaram para ficar. Como explicou ao DN uma das proprietárias da Maria Vai com as Outras, uma "livraria com produtos diferentes", que abriu há apenas dois dias, é a vontade de "pegar numa coisa podre e transformá-la". Um metáfora para a Baixa.

São exemplos e, felizmente, não os únicos. Mas há ainda muito por fazer. Já noutro domínio, por exemplo, o imponente Palácio das Cardosas, na Praça da Liberdade, vai dar lugar a uma unidade hoteleira de luxo de cinco estrelas, e, na Restauração, um núcleo será restaurado, preservando a fachada, para acolher escritórios, comércio e habitação.

Quem não parece muito confiante é Laura Rodrigues. Embora admita não estar muito a par destes novos espaços, cujo surgimento considera "muito importante", a presidente da Associação de Comerciantes do Porto diz temer por eles: "Não vão ter a afluência necessária e terão as dificuldades do restante comércio tradicional", afirmou ao DN, acrescentando que "podem contar com todo o apoio da associação."

Marília Fernandes, 29 anos, optou por morar na zona antiga há pouco mais de dois anos e não pretende sair. Designer de profissão, explica o porquê de ter escolhido a Baixa e não um apartamento moderno na periferia: "Estou no centro e, ao mesmo tempo, sinto-me como se vivesse num pequeno bairro". Marí- lia habita um T2 alugado na Rua de Cedofeita e diz apreciar o "ser cumprimentada quando passo diariamente na mercearia ou no café".


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