Ocomércio tradicional da cidade do Porto está morto e enterrado." Quem o reconhece é a presidente da Associação dos Comerciantes que depois de anos de luta sente que perdeu a guerra contra a instalação de grandes superfícies que "aniquilaram" as pequenas casas comerciais, durante décadas a imagem de marca da cidade. A par disso, a população fugiu e as freguesias da Baixa e centro histórico perdem moradores todos os dias.
É a debandada geral. Cada vez há mais casas devolutas e estabelecimentos comerciais a encerrar. Após as horas laborais, o Porto fica quase uma cidade fantasma. A Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) começa agora a intervir no casco velho de forma a atrair novos moradores. "Uma boa intenção", na opinião de Laura Rodrigues, mas, acrescenta, "é uma gota de água no muito que é preciso fazer, sendo urgente parar para reflectir e ver o impacto causado por decisões políticas desastrosas de anos e anos."
Nos últimos 15 anos, 20% das lojas fecharam e o que restou tem um futuro certo: encerrar. As dificuldades são vividas no dia-a-dia. A Rua de Santo Ildefonso ficou vazia e o mesmo aconteceu na Formosa. Um avanço que já começa a afectar a Rua de Sá da Bandeira com alguns quarteirões sem lojas. "A cidade começa a definhar", concluiu a presidente da Associação dos Comerciantes do Porto (ACP), que considera "quase criminoso ninguém deitar mão a esta sangria."
Tudo por culpa da "falta de visão" de sucessivos governos e da passividade da administração local. A cidade ficou cercada de centros comerciais e hipermercados. Tudo foi licenciado "sem ter em conta o impacto negativo que seria causado no tecido comercial tradicional". Começou-se na área da alimentação, que não é mais do que a gestão de espaços para empresas de alimentação, e depressa se concluiu que só isso não chegava. "Era necessário criar cidades virtuais." Centros comerciais cujo interior é delineado por ruas, com fontes e cinemas. Alguns até recriam fachadas de casas antigas nas praças de alimentação. Nas imediações destes shoppings instalaram-se os mais modernos empreendimentos imobiliários. O resultado está à vista de todos. Como diz Laura Rodrigues, "transferiu-se a vivência da cidade para os centros comerciais". O Porto ficou abandonado. "Onde se vê a incapacidade dos políticos a governar este país é nas cidades", acrescenta.
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