por
Isabel Lucas Pedro Saraiva
EComo nasceu esta fábula social?
A intenção era a de, um pouco à semelhança de George Orwell, escrever sobre que género de ameaça nos está destinada. O mundo de Orwell era o do estalinismo do pós- -guerra e foi a partir daí que ele ficcionou o futuro em 1984 [escrito em 1949]. Nós vivemos uma situação diferente, numa sociedade onde a liberdade está fixada como princípio fundamental, mas onde essa liberdade pode provocar uma deriva. Por outro lado, interessava-me ver em que medida a técnica do romance histórico, que utilizei em livros sobre o passado, podia ser aplicada no romance do futuro. Há uma intenção filosófica e política e uma intenção formal: fazer uma transposição do romance histórico para um romance sobre o futuro.
Falou na deriva por vezes associada à liberdade. A alienação pode estar para a democracia como a interdição está para outros regimes? É um dos seus paradoxos?
Sim. Em Globália todos os dias há uma festa. É um modo de desviar a atenção, a agressividade e o interesse para coisas que não têm importância. Da mesma maneira há um desviar de atenção das causas do medo. O resultado é um mundo de alienados.
A Globália fica num espaço reconhecível, num tempo determinado, mas que não corresponde ao nosso calendário. Este ano 27 é num tempo muito distante do nosso?
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