Já lá vão 13 anos, mas Anabela tem bem presente as circunstâncias que levaram à cesariana, que acredita que teria sido evitável caso tivesse havido um acompanhamento médico capaz. Entre hospital central e maternidade, Anabela passou perto de 30 horas em trabalho de parto.
Esteve um dia inteiro no hospital a soro e no fim, apesar das contracções, mandaram-na para casa. Foi para a maternidade, passou lá a noite sozinha, e esteve até às 14.30 sem ser vista pelo médico. Quando o obstetra chegou, era quase tarde de mais. A bebé tinha entrado em sofrimento. Vinte minutos depois estava cá fora - com uma cesariana.
O caso de Anabela não é certamente único e retrata situações em que um melhor acompanhamento médico poderia evitar o acto cirúrgico que a parturiente não desejava. Mas há casos em que a indicação médica para a cirurgia é inevitável. Como aconteceu com Eliana, mãe de dois filhos, e cujo corpo não fez a dilatação necessária para a expulsão do primeiro filho. O segundo estava sentado.
E há casos em que é a vontade da mãe que leva à cesariana. Cristina diz que não pediu, mas sugeriu. O parto ia ser na privada e, a menos de um mês do termo da gravidez, ficou tudo acertado: data e hora para a cesariana. Cerca de 20 meses depois, deu à luz a segunda filha e de novo recorreu à cirurgia.
O recurso às cesarianas tem sido contestado um pouco por todo o mundo, com estudos científicos e reflexões à mistura. Michel Odent, conhecido obstetra e cirurgião, é um dos autores que tem produzido trabalhos sobre o tema da cesariana, contestando muitos mitos que estão associados ao parto e perguntando como é que uma "operação de salvamento" se transformou quase numa "indústria do nascimento".
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