por
Francisco Mangas
A colecção dos Allen
"O perfume delas é talvez a cor", escrevia o poeta Pedro Homem de Mello a propósito das camélias. Planta de origem distante, prefere a sombra à luz da manhã, que povoa os jardins públicos e privados do Porto desde há muitas décadas. Em largos períodos do século XX, marcado pela guerra, perdeu admiradores e o título de "rainha". Mas está de volta e recupera o prestígio perdido - a beleza, essa, nunca a perdeu.
No Guia do Viajante do Porto, editado em finais do século XIX, Alberto Pimentel não tinha dúvidas: " Se a Dama das Camélias de Dumas filho não vivesse em Paris, viveria de certo no Porto, terra onde as camélias nascem numa abundância e formosura incomparáveis." A camélia, trazida da China e do Japão, encontrou terra amiga no Porto. Mas o "culto apaixonado" por estas flores, no final de Oitocentos, também chegou a Lisboa.
Na capital do reino, no entanto, por razões de solo e de clima, era extremamente difícil prolongar a vida a uma camélia por mais de um ano. Por serem raras, eram vendidas a "alto preço". As damas de Lisboa, escreveu Alberto Pimentel, "adoram, pois, as camélias sem as possuir; os poetas da capital cantam-nas sem as conhecer".
Na cidade do Porto, contrapunha o autor de Guia do Viajante , toda a gente conhecia estas flores. Toda a gente as oferecia. No Porto havia José Marques Loureiro, horticultor e jardineiro multiplicador, que na Quinta das Virtude, na Rua dos Fogueteiros, possuía uma imensa colecção de camélias. Num catálogo, Loureiro afirmava que no seu viveiro, além de outras espécies, podiam encontrar-se mais de 750 variedades de primeira ordem. "A nossa colecção não tem rival em Portugal e na Península", garantia, com orgulho, o horticultor e jardineiro multiplicador.
Além do viveiro na Quinta das Virtudes, no finais do século XIX, Alberto Pimenta aconselhava ao viajante de passagem pelo Porto que, se pretendesse contemplar outra colecção de assinalável qualidade, visitasse a quinta do "senhor visconde de Vilar Allen".
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