por
Mário Bettencourt Resendes
Jornalista
Os oito séculos de História de Portugal estão ainda longe de apagar a periferia para onde a Geografia nos remeteu. Os raros períodos de grandeza e prosperidade tendem a surgir como epifenómenos sem sequência.
Dir-se-á que os Descobrimentos e o ouro do Brasil deixaram marca, mas fica sempre uma sensação amarga de país de oportunidades perdidas.
Nas décadas mais recentes, adormeceu-se na ilusão de que os imensos fluxos de fundos comunitários fariam os milagres que séculos de governação doméstica não conseguiram. O resultado está à vista: embora o Portugal do século XXI seja bem melhor do que transparece da actual onda de depressão colectiva, estamos ainda longe dos índices de desenvolvimento dos nossos parceiros europeus e, para reforçar a preocupação, o ritmo dos avanços ameaça alargar essa distância.
O complexo da periferia conduz, com frequência, a uma valorização excessiva das opiniões alheias sobre o País. Exultámos quando as gazetas externas nos consideravam o "bom aluno da Europa comunitária", flagelamo-nos ou rompemos em onda de indignação pátria quando um escriba estrangeiro traça um retrato menos abonatório do que por cá se passa.
Uma apreciação positiva no Financial Times sobre a política económica faz inchar de satisfação os "maestros" indígenas, uma entrevista de página ou um editorial no El País são cuidadosamente conservados para trunfo em próxima campanha eleitoral.
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