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sociedade

Tuberculose está a aumentar no grupo dos profissionais de saúde

por

Elsa Costa e Silva

Plano Nacional  

A incidência da tuberculose tem vindo a aumentar entre os profissionais de saúde. A partir de 2002, verificou-se um acréscimo de casos da doença entre médicos, enfermeiros e administrativos. Em 2000, havia apenas 19 profissionais declarados, mas, quatro anos depois, o número de novos casos subiu para 57, na região Norte. E não há razão, dizem os especialistas, para que a situação a nível nacional seja diferente.

Os números espelham a realidade de uma doença que afasta, e muito, Portugal da realidade europeia: o país tem uma incidência de 38 casos por cem mil habitantes, contra os sete de Itália ou cinco da Grécia. A situação quase terceiro-mundista do País foi ontem salientada, na audição promovida pelos deputados do PS no círculo do Porto. Distrito que, como Lisboa e Setúbal, registam o maior número de casos da doença. Um fenómeno potenciado pelo facto da tuberculose ser uma doença associada à pobreza e à marginalidade e de ser nos grandes centros urbanos que essas bolsas se concentram.

Só no Hospital S. João (HSJ), no Porto, há actualmente 27 funcionários com tuberculose, na forma de doença declarada ou infecção latente. Um "número preocupante", admite o director clínico da instituição. A incidência entre os profissionais de saúde, que ultrapassa largamente a verificada na população em geral, dá evidências de que o contágio é uma realidade importante no meio do Serviço Nacional de Saúde. Margarida Tavares, do Serviço de Doenças Infecciosas do HSJ, salientou que o número de casos não é elevado no total verificado no país, mas é um problema significativo.

Existem dificuldades, a nível de diagnóstico precoce, entre os profissionais de saúde já que os testes existentes não distinguem as reacções próprias de quem foi vacinado da situação de infecções latentes. Ou seja, afirma Margarida Tavares, são necessários melhores testes de diagnóstico, que já existem, mas que não são usados em Portugal.

Também Ana Maria Correia, do Centro Regional de Saúde Pública do Norte - que retratou na audição a doença em termos epidemiológicos - assinalou o aumento de casos notificados entre os profissionais de saúde. Uma situação que se poderá ficar a dever ao aumento nas notificações, mas também, explicou a especialista de saúde pública, se poderá justificar com um risco acrescido nos meios .


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