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Alemanha pretende alargar período de experiência dos trabalhadores

 

As alterações que a coligação SPD/CDU está a preparar à legislação laboral começa a alarmar os trabalhadores alemães. Tudo porque os partidos que estão no poder preparam-se para alargar o período de experiência dos novos contratos para dois anos (24 meses). Mesmo no seio das duas forças que integram a coligação governamental, o assunto não é pacífico.

A polémica intensificou-se, ontem, com as declarações do vice- -chanceler social-democrata Franz Müntefering contra a nova lei, que ainda não foi aprovada. "Cortar nos direitos dos assalariados não traz nada de novo ao mercado de trabalho ou à economia", disse Müntefering, que é ministro do Emprego.

Este é o mais recente episódio de uma polémica em que têm sido cada vez mais flagrantes as opiniões divergentes entre sociais-democratas e conservadores. Apesar das duas forças políticas que integram a coligação governamental terem chegado a acordo, aquando da sua ida para o poder, sobre o alargamento do período laboral experimental até 24 meses para os novos contratos, independentemente da idade dos trabalhadores (uma medida defendida nas eleições pela CDU de Angela Merkel), o certo é que esse consenso parece desfeito. Isto numa altura em que os protestos em França contra a nova legislação laboral (mais branda que esta, visto que os dois anos de período experimental apenas são aplicáveis ao primeiro emprego) estão ao rubro.

Na Alemanha, não são só os sociais-democratas que estão contra a nova legislação. Muitos conservadores também já se manifestaram contra os dois anos de período experimental, exigindo uma flexibilidade ainda maior. Esse é o caso de Michael Glos, ministro da Economia, que recentemente desabafou que "certos acordos estão condenados a não ir muito longe".

Franz Müntefering deixou bem claro que é contra qualquer outro avanço no sentido de aumentar o período experimental dos trabalhadores. "Nada é decidido ao acaso. Não estamos - e eu claramente não estou - preparados para ir mais longe", avisou o ministro do Emprego. "Só faremos aquilo que negociámos e para o qual conseguimos convencer os nossos apoiantes", tinha já antes afirmado Rainer Wend, especialista em política económica dos sociais-democratas.


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