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Família de Gisberta pondera processar Estado português

por

Fernanda Câncio  

Éimportante que se saiba que ficámos muito indignados com o sucedido. E estamos a ponderar a hipótese de entrar num processo de pedido de reparação." É Abimael Salce, 38 anos, sobrinho de Gisberta Salce Júnior, que assume, ao telefone de São Paulo, o papel de porta-voz da família.

Filho de um dos sete irmãos de Gisberta, Abimael conta que a família só agora está a "cair na real": "A minha tia chegou no fim da semana num caixão lacrado. A gente enterrou o corpo e nem o viu. Aos poucos, começamos a realizar o aconteceu." E a pensar no que fazer: "Temos falado em entrar num processo de reparação porque quando a Gis saiu daqui o sonho dela era comprar uma casa para a mãe. E achamos que faz sentido pedir uma indemnização para cumprir esse sonho dela."

Abraço pode dar advogado

A decisão não é definitiva, até por não saberem o que é preciso fazer. "Temos de nos informar muito bem. Mas não estamos a gostar do rumo que as coisas estão a tomar. Soubemos que os jornais portugueses dizem que a minha tia pode ter morrido de doença e não das agressões?! É claro que não foi isso que aconteceu." Já solicitaram ao Governo brasileiro ajuda no acompanhamento do processo. "Até agora não temos resposta." O apoio jurídico, no entanto, poderá ser encontrado em Portugal, através da associação Abraço, que prestou auxílio a Gisberta devido à sua infecção pelo HIV e está a analisar a hipótese de patrocinar o processo por parte da família.

A Abraço era uma das associações representadas na "vigília por Gisberta" que ocorreu ontem à frente do patriarcado, com o objectivo de "dignificar a memória da vítima", "exigir legislação abrangente contra crimes motivados pelo ódio" e "uma reforma profunda no sistema de protecção de menores em risco". Escolhido pela Frente de combate à Homofobia/Panteras Rosa e pela associação de transexuais T , o local da concentração não teve o acordo de todas as organizações LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero). A Ilga-Portugal, por exemplo, não apoiou a iniciativa. Paulo Côrte-Real, da direcção, explica porquê: "Consideramos que as exigências estão certas, mas devem ser dirigidas ao Estado e não à Igreja Católica."


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