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Autópsia indica que transexual pode ter sido atirada ao poço ainda com vida

 

A transexual sem-abrigo morta alegadamente por um grupo de adolescentes, num prédio abandonado no Porto, pode ter sido atirada ao poço ainda com vida. O primeiro sinal foi o facto de o corpo não se encontrar a boiar, mas submerso, o que indica que não estaria morto. Exames complementares, realizados no âmbito da autópsia, encontraram nos órgãos de Gisberta organismos aquáticos idênticos aos que existem na água do poço.

A investigação começa assim a encontrar uma causa para a morte da sem-abrigo. Um nexo causal que poderia ser bastante difícil de averiguar, segundo fonte judicial contactada pelo DN, se o corpo já tivesse sido atirado ao poço sem vida, pois tudo indica que a transexual tenha sido agredida várias vezes por indivíduos diferentes ao longo de vários dias. Daí, os primeiros resultados da autópsia, conhecidos no início da semana, não terem sido conclusivos. Nestes casos, são pedidos exames toxicológicos, histológicos e biológicos, mais detalhados, mas também mais morosos.

O corpo da transexual parte hoje para S. Paulo, Brasil, onde Gisberta nasceu há 46 anos. O último adeus em solo português decorreu, ontem, na capela do Instituto de Medicina Legal do Porto. A homília foi presidida pelo padre director das Oficinas de S. José, onde vivia a maior parte dos 14 jovens indiciados pela morte de "Gis".

O serviço religioso dividiu opiniões. As Panteras Rosa - Frente de Combate à Homofobia, consideraram a escolha do pároco como uma forma de provocação, "pelas coisas que disse durante a missa". Fernando Mariano criticou, em declarações ao DN, que Gisberta tenha sido "sempre referida como uma pessoa do sexo masculino, quando não era essa a identidade que assumia na vida diária". Além disso, embora tenha expressado as condolências, o padre terá ainda dito que, segundo os psicólogos, "as crianças são como os pássaros, que andam em bando", o que, disse o também "Pantera" Sérgio Vitorino, "é uma vez mais a igreja a lavar as mãos da sua responsabilidade em relação a estes jovens".

Já para Rute Bianca, transexual e amiga da vítima, o último adeus foi "lindíssimo". O caixão aberto permitiu aos amigos verificar o "estado lastimável" em que se encontrava o corpo, mas, garante Rute Bianca, o padre "estava chocadíssimo, sem perceber como é que os rapazes podiam ter actuado daquela maneira".


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