No tempo em que era um exímio fazedor de frases, Paulo Portas fez uma (pelo menos) sobre as juventudes partidárias, que eram à época um dos seus ódios de estimação - e isto muitos anos antes de a Juventude Popular ter sido um dos seus trampolins para a liderança do PP. Escreveu, então, Portas que as juventudes partidárias eram "escolas de crime". Uma frase que resumia a visão destas organizações como centros de estágio de carreiristas da política.
Mas as "jotas" podem ter um papel importante, reconhece o politólogo André Freire. "Por serem mais jovens e mais irreverentes, e até por não terem responsabilidades na condução do País, trazem por vezes temas novos, em que os partidos não pegam, por serem pouco consensuais." Um aspecto que o especialista em Ciência Política realça sobretudo nas organizações de juventude dos dois maiores partidos, que falam ao eleitorado mais moderado.
No historial da Juventude Socialista e da Juventude Social Democrata, André Freire nota um papel de vanguarda, nomeadamente em "temas de índole cultural e de costumes". São estas, diz, as áreas em que as juventudes partidárias mais marcam o terreno, pois "os partidos estão pouco à vontade e, muitas vezes, divididos, entre uma ala mais laica e liberalizante e outra mais conservadora". E dá o exemplo das uniões de facto, cuja aprovação passou em boa medida pelo papel pioneiro da JS, então liderada por Sérgio Sousa Pinto.
Mas, mesmo nos casos em que as juventudes não conseguem fazer valer os seus pontos de vista, servem como um laboratório de ideias, para testar o eleitorado, diz André Freire. "É um pouco como lançar barro à parede, a ver se a ideia recolhe apoios na sociedade" - foi o que se passou com o PS no caso dos casamentos de homossexuais , segundo este observador.
Quanto ao papel das "jotas" como agentes de formação política, André Freire tem mais reticências. "Parece-me que os partidos em geral, e não só as juventudes, fazem muito pouco investimento na formação de quadros. Dão-lhes traquejo, mas pouca formação ideológica." FSC
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