A taxa de desemprego real da economia já estará nos 10,9%, se forem contabilizados os chamados "inactivos disponíveis" e os que estão em situação de "subemprego". Em Setembro de 2005, aquele contingente atípico de desempregados contava-se em 130 mil, usando os dados do INE, mas até Dezembro cresceu para os 164 mil, o que eleva o número real de pessoas em idade activa que não estão a trabalhar para 611 mil. Estes valores denunciam uma realidade mais pessimista do que a traçada na taxa oficial de desemprego do INE para 2005, que se ficou nos 8%, abrangendo 447 mil desempregados.
Em causa está o grupo de indivíduos, não considerados na estatística do desemprego, que no mês em que o Instituto Nacional de Estatística realizou o inquérito ao Emprego não tomaram diligências para procurar emprego e os que trabalharam menos de 15 horas por semana. Haverá ainda a considerar os abrangidos em cursos de formação profissional e nos chamados Programas de Ocupação Profissional, que deixam de ser considerados desempregados nesses períodos, perdendo o direito ao respectivo subsídio.
Economistas, empresários e sindicalistas, contactados pelo DN são unânimes em prever para este ano um nível de desemprego superior ao registado o ano passado, em pelo menos mais um ponto percentual. O secretário de Estado do Emprego, Fernando Medina, em entrevista ao DN, mantinha, há uma semana, o cenário de uma taxa em torno dos 7,7%.
A crescente dimensão dos contratos a prazo, no total do emprego, que já totalizam 582 mil, a par da incapacidade da economia criar empregos, é uma das razões que apoiam a previsão de uma evolução na perda de empregos. "Quando temos um volume de contratados a prazo desta dimensão, a simples não renovação de uma parte destes contratos terá um impacto no aumento do desemprego", considera António Duarte, economista do Banco Português de Negócios.
A regra de contenção nas admissões para a Administração Pública é apontada por Eugénio Rosa, economista da CGTP, como um dos factores que ajudam a explicar o aumento do desemprego no grupo dos jovens licenciados. "O Estado era tradicionalmente um dos grandes empregadores de jovens licenciados, nomeadamente estagiários, o que, por via do congelamento das admissões, está a deixar de acontecer."
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