por
António José Teixeira
O Diário de Notícias completa hoje 50 mil edições. É um marco relevante de uma longa história começada por Thomaz Quintino Antunes e Eduardo Coelho, dois pioneiros de um jornalismo moderno em Portugal. Corria o ano de 1864, reinava D. Luís, quando apresentaram aos leitores um jornal diferente: noticioso, independente e popular.
O seu primeiro estatuto editorial ainda hoje mantém uma actualidade surpreendente: "O Diário de Notícias - o seu título o está dizendo - será uma compilação cuidadosa de todas as notícias do dia, de todos os países e de todas as especialidades, um noticiário universal. (...) É pois um jornal de todos e para todos - para pobres e ricos de ambos os sexos e de todas as condições, classes e partidos." Os jornais da época eram muito partidarizados, mais instrumentos de luta política do que veículos de notícias. O DN introduziu a reportagem na imprensa portuguesa, na altura dominada pela crónica e pela opinião. Criou os ardinas, que aproximaram o jornal dos leitores. Inovou nas artes gráficas, tirou partido da rádio e do cinema, abriu espaço ao pequeno anúncio, iniciou a publicação de caricaturas, fez ponte com escritores e artistas, acolheu nas suas páginas os mais importantes vultos da cultura portuguesa.
O DN foi, e é, um participante activo na vida pública. Não apenas no espaço das suas páginas, mas no contacto directo com os cidadãos. Por aqui têm passado inúmeras iniciativas de solidariedade: desde o socorro às crianças vítimas da II Guerra Mundial até à ajuda às Misericórdias. Terramotos e temporais chegaram a envolver o jornal na construção de bairros sociais.
Nem tudo foi heróico na história destes 50 mil números. Nem sempre o DN foi fiel aos seus princípios. Cometeu erros, pelos quais algumas vezes pagou um preço elevado. Ainda assim, num balanço breve, o Diário de Notícias foi quase sempre a consciência da Nação e esse é o estatuto mais alto a que um jornal pode chegar, como dizia Camus. E só pode ser consciência da Nação quem tem lastro e credibilidade.
Com a liberdade e a independência dos seus fundadores, não esquecendo as melhores práticas dos que se lhes seguiram, o Diário de Notícias continuará noticioso, crítico e interveniente. Também preocupado com os sinais ameaçadores da liberdade de imprensa, de que o "assalto" judicial ao 24 Horas é revelador. O mesmo se diga da lei que enquadra a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, que prevê o livre acesso aos media por parte dos seus funcionários, que para os devidos efeitos são "equiparados a agentes de autoridade". 50 mil números depois, importa continuar o combate pela liberdade.
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