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Exemplos e modelos de Teatro Nacional no resto da Europa

 

Quando a controvérsia em torno do Teatro Nacional D. Maria II chegou novamente à praça pública, no início deste ano, suscitada pela saída abrupta de António Lagarto (recorde-se que o director artístico soube da sua exoneração ao ler uma notícia do jornal Público), houve uma linha programática no caderno de encargos proposto pela tutela ao novo director - o pouco consensual Carlos Fragateiro - que despertou de imediato um coro de críticas. Embora aligeirada em discursos posteriores, essa linha programática consistia na aposta prioritária (se não mesmo exclusiva) em autores e textos da "dramaturgia portuguesa", num arco que abrangeria tanto os clássicos como os contemporâneos.

Enquanto Fragateiro, responsável na última década pela programação do Teatro da Trindade (acusada por muitos de ser comercial e "popularucha"), não define claramente o rumo que pretende imprimir ao D. Maria II, vale a pena perceber como é que funcionam actualmente, em vários países da Europa, os equivalentes - mais ou menos bem financiados - do nosso maior Teatro Nacional.

Uma das primeiras conclusões que se podem tirar é que em quase todas as capitais europeias existem teatros públicos (e companhias a eles afectas) que se dedicam prioritariamente à representação dos grandes clássicos das respectivas línguas. Em Madrid, por exemplo, para além do Teatro Español, propriedade da autarquia, cuja localização e algumas das estruturas remontam ao séc. XVI (reinado de Filipe II), existe uma Companhia Nacional de Teatro Clássico, provisoriamente instalada no Teatro Pavón, que apenas representa as peças dos mais representativos autores do Siglo de Oro. Neste momento, por exemplo, está em cena Amar Despues de la Morte, de Pedro Calderón de la Barca, com encenação de Ana Zamora.

Em França, aos quatro teatros nacionais com sede em Paris - Comédie-Française, Odéon, La Colline e Chaillot -, juntam-se nove centros dramáticos nacionais, espalhados pela banlieue (Aubervilliers, Villeurbanne, Gennevilliers) e pelo resto do país (Nancy, Orléans, Lille, Toulouse, Bordéus, Rennes). Contudo, dos quatro teatros nacionais, apenas um - a Comédie-Française - se dedica em regime de quase exclusividade ao repertório de Molière, Corneille e Racine. Os outros têm programações menos rígidas, sendo que o Théâtre de la Colline aposta declaradamente nas novas linguagens de cariz experimentalista.

Pouco interessado nos modelos de Teatro Nacional que se decalcam da Comédie (essas "estruturas napoleonicamente caducas, pensadas para estarem no coração de cidades centralistas"), o encenador Jorge Silva Melo não esconde o entusiasmo que lhe desperta o novíssimo Teatro Nacional da Escócia (TNE), ainda em processo de criação. Aproveitando o muito dinheiro concedido pelo governo escocês, no âmbito da recente autonomia, foi criada uma grande equipa que trabalha num escritório em Glasgow, sem a tradicional sala de espectáculos e respectiva burocracia. "Eles definem planos de actividade e escolhem programações, chamando os autores e encenadores que lhes interessam, ao mesmo tempo que convocam as companhias existentes." A leveza desta estrutura flexível permite-lhes, por outro lado, apostar tudo na qualidade dos agentes escolhidos. Embora já trabalhem desde 2003, o verdadeiro teste acontecerá durante o Festival de Edimburgo, em Agosto, quando estrear a primeira produção do TNE uma peça escrita e encenada pelo escocês Anthony Nielsen.


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