Éuma sensação de incredulidade". É desta forma que Cláudia Henriques, jornalista da TSF, 30 anos, se confessa ao DN poucas horas depois de lhe ter sido comunicado que havia ganho o galardão de rádio atribuído pelos Prémios Internacionais de Jornalismo Rei de Espanha, pela sua reportagem Memória Magoada, realizada um ano depois dos atentados de 11 de Março, em Madrid. O trabalho volta à antena da TSF sábado, às 11.00.
"Não estava nada à espera, porque esta era a minha primeira grande reportagem e não achei o tema muito original", concretiza a repórter, justificando a sua surpresa. Candidatou-se ao prémio no último dia "à portuguesa", sem ter grandes expectativas, e agora vê o seu nome entre os premiados das 23 edições do galardão. "Não quero ser falsa humilde. Estou muito orgulhosa. Mas não me ponho ao lado dos grandes nomes, ainda tenho muito que trabalhar para lá chegar", reforça recusando qualquer comparação.
Demorou um mês a preparar o trabalho que a levou a Madrid, um ano depois do atentado, para recolher depoimentos e contar uma história. "Envolvi-me muito e fiquei contagiada pela dor das vítimas", assume ao revelar que este não foi um trabalho fácil. Já em estúdio, e na companhia do sonoplasta Herlander Rui, demorou perto de 30 horas a montar a reportagem, que tem uma duração de 30 minutos. "São reconhecimentos como estes que nos estimulam e nos fazem esquecer as horas que demoramos a conceber um trabalho como este", admite Herlander Rui, que ao saber da notícia "explodiu" de alegria.
Para o director da TSF, José Fragoso, este reconhecimento internacional "é muito importante" e demonstra que se justifica "todo o investimento" que a sua rádio tem feito na área da grande reportagem, sem deixar de referir que é "a única emissora que o faz". Estas palavras são subscritas por João Paulo Baltazar, o coordenador do espaço Reportagem TSF, que não podia estar mais "orgulhoso"por trabalho que "compensa e vale a pena".
A reportagem de Cláudia Henriques foi escolhida "por unanimidade" pelo júri que teve de apreciar entre 40 trabalhos apresentados a concurso, como revelou ao DN Ana de Osman, directora de comunicação da agência EFE, que promove em conjunto com a agência espanhola de cooperação internacional, a organização do prémio.
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