Os melhores anos das nossas vidas, guardamo-los num cantinho da memória. De vez em quando, gostamos de os recuperar. Os tempos de liceu, coincidentes com um período marcante como o da adolescência, estão normalmente guardados nesse compartimento com porta entreaberta. A Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, comemora este ano o centenário da sua criação e um dos pontos altos das comemorações, é o jantar que, hoje, reúne centenas de antigos alunos daquele estabelecimento.
Para Lisboa e para o País, o Pedro Nunes "produziu" muitos notáveis em várias áreas. Desde presidentes da república (Jorge Sampaio); primeiros-ministros (Pinto Balsemão); políticos (Marcelo Rebelo de Sousa, Freitas do Amaral, Guilherme d'Oliveira Martins); pintores (Carlos Botelho, José Pedro Croft, Cabrita Reis); arquitectos (Teotónio Pereira); músicos (Luís Represas, João Peste). "Uma escola diferente... fez um país diferente", escreve Maria Luísa Guerra , no livro Liceu Pedro Nunes - no centenário da sua criação 1905/1906. "Esta escola marcou, decisivamente, a vida da Nação em todas as áreas . Os projectos pedagógicos inovadores que aqui se desenvolveram, a audácia criativa, a competência dos professores, o modelo de organização, o nível de exigência formaram gerações que determinaram o nosso ser colectivo", prossegue a autora .
Liceu elitista, de "queques", são rótulos que aparecem ligados a esta escola lisboeta. Júlio Esteves tem 16 anos, frequenta actualmente o 11.º ano e quis ir para o Pedro Nunes porque "os amigos diziam-me que era difícil cá entrar. Só isso tornou ainda mais atractiva a escolha da escola", conta. Gonçalo Dias, de 17 anos, colega de turma, tem uma opinião oposta. "Não acho nada elitista. Acho que os professores são bons, conseguimos dar os programas até ao fim e, acima de tudo, o ambiente é bom." No famoso e discutível ranking das escolas, o Pedro Nunes aparece em 21.º lugar a nível nacional e, em Lisboa, de entre as escolas públicas ocupa "um 2.º ou 3.º lugar", explica Jorge Santos, responsável do conselho executivo
A única coisa que pode distinguir o Pedro Nunes das outras escolas secundárias de Lisboa é o seu "historial, nomeadamente, o de ter sido um liceu que formava professores, desdramatiza o responsável, recusando entrar em guerras de classificações. A Escola Secundária Pedro Nunes recebe estudantes das freguesias envolventes, mas também de Sintra, Loures, Amadora. A procura é grande. Maior que a oferta. No ano lectivo de 2005/06 estão inscritos 1200 jovens. "Temos a capacidade a cem por cento", informa Jorge Santos, lembrando que o corpo docente conta com 150 professores .
O Liceu Central de Pedro Nunes "nasceu" em 11 de Novembro de 1911 da necessidade de dotar o Liceu Central da 3.ª zona de Lisboa (1905- -06) de instalações adequadas. A construção do edifício fez-se segundo projecto do arquitecto Ventura Terra em terrenos da antiga Quinta da Estrela. O seu primeiro reitor foi o pedagogo António Joaquim de Sá Oliveira. Entre 1928 e 1930, Sá Oliveira reestrutura o liceu, introduzindo a vertente de formação de professores, iniciando-se a etapa na vida da instituição como Liceu Normal. Rómulo de Carvalho (António Ge-deão) foi um dos mais notáveis e queridos professores daquela casa.
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