Os controlos antidoping chegaram ao xadrez. Betabloqueantes, moléculas, hormonas, esteróides, tranquilizantes, antidepressivos são apenas são algumas das substâncias que os médicos das agências antidopagem procuram na urina dos jogadores de xadrez.
Quando se questionam os xadrezistas sobre a existência de substâncias proibidas na modalidade estes respondem "O xadrez é um desporto mental e não físico. A mente não tem nada a ver com produtos químicos."
"Todavia, os produtos químicos podem alterar - para o bem e para o mal - as capacidades intelectuais, como demonstram os inúmeros estudos médicos com psicofármacos e drogas inteligentes", defende o espanhol Juan Carlos Ruiz no livro Drogas Inteligentes, o primeiro trabalho publicado em Espanha sobre este tema. Um jogador de xadrez precisa apenas de realizar alguns movimentos físicos, com uma das mãos, para mover uma peça ou accionar o relógio que regula o tempo da jogada. É um actividade puramente intelectual. Os processos de pensamento são realizados no cérebro, um órgão composto por milhões de neurónios interligados por sinapses. A actividade do cérebro consiste nas neurotransmissões que tem lugar entre elas. Por sua vez, os neurotransmissores são substâncias químicas internas e os seus processos podem ser alterados por produtos químicos introduzidos no corpo desde o exterior. Desta forma, "os processos cognitivos podem ser modificados com suplementos variados, naturais e de síntese, assim como vitaminas e aminoácidos, entre outros", defende Juan Carlos Ruiz.
Portugal é pioneiro
Portugal foi o primeiro país a implementar o controlo antidoping nas competições de xadrez, após a Federação Internacional (FIDE) assumir que queria integrar esta disciplina nos Jogos Olímpicos de Verão. Para isso aderiu aos regulamentos da Agência Mundial Antidopagem (AMA).
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