Governo tem de estar inequivocamente ao serviço do bem comum, ao serviço dos portugueses", afirmou ontem Cavaco Silva, num almoço-comício em Mirandela. Este regresso de Cavaco ao tema da partidarização do aparelho de Estado, num tom até agora nunca usado, foi concretizado depois do ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, ter falado em "verdadeira tentativa de golpe constitucional" caso Cavaco vença estas eleições - aludindo às posições que o candidato apoiado por PSD e CDS vem defendendo.
Logo de manhã, em Macedo de Cavaleiros, Cavaco foi confrontado com a frase do ministro e não foi brando "Irei mesmo esquecer todas essas afirmações de natureza partidária". Cavaco acrescentou que já tem ouvido "tanta coisa" e que essas declarações não têm qualquer "significado". Para o candidato, "os portugueses não gostam que passem o tempo a fazer ataques".
Em termos políticos este foi um dos pontos altos do dia, embora em Macedo de Cavaleiros a população não abundasse. Valeu que um grupo de alegres caretos da aldeia de Podense tenha salvo a acção. Vestidos a rigor, fizeram o candidato rir, eles que na tradição transmontana estão mais habituados a assustar. Em Macedo, Maria Cavaco Silva pegou nuns quantos panfletos de campanha e juntou-se a Kátia Guerreiro na distribuição aos populares.
Ainda nesta terra, à saída de um café, Cavaco diria que o "IP4 está exactamente no mesmo sítio, não chegou a Quintanilha", desde que saiu do Governo em 95. "Tenho a sensação de que o interior está um pouco esquecido". Frases que reforçaria em Mirandela, para gáudio dos apoiantes que enchiam a sala, mas não as bancadas.
Cavaco, que ontem usou muito a ideia de "olhar para o futuro e não para o passado", puxou dos seus galões de antigo primeiro-ministro várias vezes. Mas também olhou para o futuro e disse que - "no respeito pelas competências do Presidente da República, com a legitimidade própria que lhe advém do facto de ser eleito directamente pelo povo" - "ainda há muito que fazer".
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