Na Universidade de Coimbra, "62 por cento dos alunos que abandonaram o curso em 2003/04 não tinham feito uma única cadeira [ou seja, 1254 alunos] e 77 por cento tinham feito zero, uma ou duas disciplinas [1557 alunos]", garante o reitor desta Universidade. No ano lectivo de 2003/04, os números totais de abandono naquela instituição ascenderam a 2022 alunos. E no passado ano lectivo o número agravou-se 2372 alunos desistiram do seu curso.
Face a este cenário preocupante, Seabra Santos lançou como objectivo a mobilização de todas as Faculdades no combate ao insucesso escolar, embora ciente de que tem pela frente "um dos processos mais delicados e difíceis".
Em termos concretos, sublinha, "vamos adoptar práticas já experimentadas noutras universidades e recorrer a estudantes de pós-graduação ou de doutoramento que serão mobilizados para acompanhar os docentes ao nível da avaliação contínua, ajudando-os a manter com regularidade uma actuação sobre os alunos".
Tais números servem para o reitor demonstrar que "não são as propinas a razão fundamental do abandono escolar", embora assuma de forma clara e frontal que sempre foi a favor da sua existência. "O acesso a um bem público como é a educação a nível superior, deve ser mediado através daquilo a que tenho chamado uma taxa moderadora", esclarece Seabra Santos, discordando, embora, "do elevado valor a que chegaram".
Apesar disso, é favorável a uma diferenciação de pagamento. Isto é, tendo em conta que os custos de uma licenciatura variam de caso para caso, o reitor aceita de forma pacífica que o valor das propinas fosse calculado em função do custo do respectivo curso. "Não me repugnaria essa solução, que já cheguei, de resto, a defender, mas cuja ideia a generalidade da comunidade universitária não acompanha", afirma. Em todo o caso, insiste, "a percentagem dessa taxa devia ser de 10 por cento" do valor do respectivo curso.
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