"Cartazes? Já os conhecemos a todos há muitos anos..." Os candidatos presidenciais gastam milhões em material de campanha, mas as centenas de outdoors que puseram nas ruas parecem não convencer os eleitores. Seja porque o voto já está decidido, e não há marketing que o vença, seja porque ainda não está, e parece não haver marketing que o convença.
Lado a lado numa das principais avenidas de Lisboa, Cavaco Silva - "Sei que Portugal pode vencer" -, Francisco Louçã - "Rigor/Solidariedade"-, Mário Soares - "Sempre presente nos momentos difíceis"- e Jerónimo de Sousa - "Com toda a confiança"- disputam, lado a lado, a atenção dos transeuntes.
A julgar por alguns cidadãos ouvidos pelo DN, o "campeonato" do marketing é ganho por Francisco Louçã. "É o cartaz que chama mais a atenção", "a mensagem é forte, em duas palavras diz mais que os outros", "é diferente, tem uma postura mais informal", dizem três estudantes de arquitectura de gestão urbanística. Já Cavaco é o alvo de todas as críticas destes jovens - "Não gosto, é muito artificial e tem uma mensagem demasiado negativa", diz Paulo Isaque, de 20 anos. Sara Cangueiro concorda "Cavaco está com ar demasiado sério, passa uma imagem negativa, não estamos assim tão mal..."
À partida, dir-se-ia que vão três votos para o candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda. Nada disso - um vai para Cavaco Silva e dois estão, por agora, em branco.
Como fica óbvio, os cartazes pouco pesam. A mesma opinião é repetida por Maria Seixas, 55 anos "Os cartazes não me dizem nada, vi os debates, prefiro ouvir o que os candidatos têm para dizer". Vasco Gouveia, reformado, avança outro argumento para desvalorizar as mensagens dos oudoors "Já os conhecemos a todos há muito tempo..."
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