por
Sílvia Freches
A venda de acções da SAD do Estoril está a ser acompanhada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Esta entidade pretende clarificar a titularidade das acções que estão a ser negociadas com João Lagos, empresário de eventos desportivos que viabilizou a manutenção do futebol profissional dos "canarinhos" com o pagamento aos jogadores de parte dos salários em atraso.
Na base das "dúvidas" da CMVM está a presença de José Veiga (actual gestor do futebol do Benfica) nas sucessivas negociações com potenciais investidores que decorreram nas últimas duas semanas com vista à resolução da grave crise financeira da sociedade do clube "canarinho".
José Veiga foi referenciado, em várias declarações públicas feitas pelo presidente da SAD do Estoril-Praia, António Figueiredo, como sendo o accionista maioritário, detentor de cerca de 80 por cento das participações. Porém, nos registos da CMVM relativa às operações da referida SAD, Veiga "deixou de possuir qualquer participação directa na sociedade" desde Outubro de 2004 .
Agora, e face à existência de informação contraditória, este organismo regulador do mercado de capitais pretende saber a quem pertence a participação na sociedade e quem controla as acções. Sendo que, se houver a confirmação que ao longo de processo foram prestadas à CMVM falsas declarações, José Veiga pode incorrer a um processo de contra-ordenação grave, nos termos do artigo 388 do Código dos Valores Mobiliários, com coimas que poderão ir de 25 mil euros a 2,5 milhões de euros.
O DN sabe também que o recente reaparecimento público de José Veiga associado à SAD do Estoril causou forte mal estar interno no Benfica. É que, quando foi chamado por Luís Filipe Vieira para assumir oficialmente a gestão do futebol do clube da Luz, com um cargo na administração da SAD (a nomeação acabou por não ser ratificada), José Veiga terá garantido que já não tinha qualquer participação na SAD dos canarinhos.
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