Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários (APBV) recordou ontem, em Fátima, a morte de 13 elementos das corporações que morreram durante o combate aos fogos de 2005. Os fundadores da associação participam durante a tarde numa missa no Santuário dedicada à memória destes bombeiros e lamentaram a falta de apoio social aos bombeiros que prestam serviço à comunidade.
"Não temos um estatuto social do bombeiro adequado à realidade", afirmou Paulo Jesus, salientando que foi este um dos motivos que levou à criação da APBV, em Novembro de 2005. Nesse sentido, os sócios fundadores estão a promover uma petição para levar esta questão à Assembleia da República, revelou Paulo Jesus, que reclama "incentivos sociais e fiscais" ao voluntariado. "Precisamos de voluntários empenhados, mas para isso também lhes temos de dar condições", disse. A falta de apoio médico, de seguros e de condições de trabalho são outras das reivindicações. "Prometeram-nos uma casa de repouso para os bombeiros que nunca foi cumprida. Agora, o que queremos é prioridade no acesso a lares públicos ou de Misericórdias bem como a creches para os nossos filhos", explicou Paulo Jesus.
Este dirigente denunciou a existência de dois casos de bombeiros que ficaram feridos na refinaria de Leça, em Matosinhos, durante os incêndios do Verão, que não têm qualquer apoio adicional para a reintegração na vida activa. No caso da refinaria, o bombeiro "recebeu um apoio do seguro até 7 500 euros, o resto pagou a família. A Galp, responsabilizada pelo incidente, não deu nada", criticou.
A APBV acusa ainda os responsáveis políticos e judiciais de serem cúmplices dos incendiários na destruição das florestas portuguesas. "Se criminosos são os que incendeiam, cúmplices são os que criaram ou mantêm condições para que isso suceda", ou seja todos os que "tiveram responsabilidades governamentais, judiciais e em diversos organismos", afirmou Paulo Jesus, numa intervenção aplaudida pelos sócios.
Também ontem, a Liga dos Bombeiros Portugueses anunciou a criação de um observatório para acompanhar em permanência a situação operacional do país e formular recomendações. A medida foi anunciada por Duarte Caldeira, presidente da confederação, que reúne 472 instituições de voluntários, sapadores, municipais e privativos, na tomada de posse dos órgãos sociais da Liga para o triénio 2006-2008, em Torres Vedras.
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