por
paula lobo
Manuel Falcão, que abandona no próximo domingo a direcção da 2, deixa "o trabalho de casa pronto": a programação está definida "com grande detalhe até final de Fevereiro" e, sem prejuízo das decisões de Jorge Wemans, seu sucessor, há encomendas e contratos que asseguram as grandes linhas da estação nos primeiros seis meses do ano. No entanto, voltou a advertir ontem que o regresso da 2: à concessão de serviço público vai implicar "perda da autonomia de funcionamento".
Em declarações à margem da antestreia do documentário Júlio Pomar - O Risco (produção da Panavídeo a exibir dia 24 de Fevereiro), Manuel Falcão reiterou que as parcerias com a sociedade civil - são 70 os protocolos já firmados - foram facilitadas pelo modelo actual de concessão independente.
Como exemplo, referiu a produção de 85 documentários (exibidos, já prontos ou em conclusão) nestes dois anos em que esteve à frente do cargo, um "processo sempre muito rápido" e só possível "graças à autonomia orçamental".
"É mais fácil produzir documentários do que avançar para a ficção", explicou a propósito da grande opção estratégica da 2, que justificou com os timings de concretização, investimento e meios disponíveis. Além do mais, a aposta no género é "uma tendência no mercado de televisão" e há um bom feedback do público as produções da BBC exibidas superaram mesmo a audiência média do canal.
Isabel de Castro, Manuel Cargaleiro, Bénard da Costa, David Mourão-Ferreira, Humberto Delgado ou Carlos Paredes são alguns dos homenageados em trabalhos já concluídos ou em fase de realização. Se-gundo Manuel Falcão, "faz sentido" apostar na produção independente e "em figuras que representem o que Portugal tem de melhor". Pelo que acredita que "este trabalho será continuado".
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