No passado dia 13, a Comissão Europeia propôs "regras modernizadas para serviços de televisão e similares da era digital". Tais regras tentam antecipar o impacto de uma revolução tecnológica anunciada, considerando as hipóteses que se abrem de diversificação de programas e, em particular, os problemas ligados a novas formas de difusão de matérias publicitárias. Em causa estão, em última instância, os modelos de gestão dos novos canais.
Para conhecer as várias frentes da nova conjuntura, poderíamos tentar diversas vias da Internet. Mais concretamente, valia a pena percorrer o labirinto do site da Comissão Europeia na zona de notícias, encontraríamos as linhas gerais da proposta; depois, na página de "Política audiovisual", acederíamos ao texto integral da directiva da Comissão; finalmente, nas "perguntas mais frequentes", teríamos a possibilidade de esclarecer as dúvidas suscitadas pela evolução do espaço televisivo (no primeiro caso, com textos em português; nos outros dois, apenas em inglês).
Como lá chegar? Pois bem, os links estavam disponíveis num post publicado no dia 14 no blogue Irreal TV (irrealtv.blogspot.com), um caso exemplar de informação vs opinião. Escrito por Francisco Rui Cádima, professor universitário e investigador (autor, por exemplo, de Desafios dos Novos Media, Ed. Notícias, 1999), este é, antes do mais, um blogue que nos permite manter uma perspectiva actualizada sobre o espaço televisivo português por um lado, nele encontramos links diários (para jornais e outros espaços da Net) sobre novidades, tendências e debates gerados pelas programações televisivas; por outro lado, o responsável pelo blogue mantém uma posição crítica que não poupa o "lixo televisivo", ao mesmo tempo que vai propondo a avaliação das potencialidades (legais e práticas) da televisão do futuro.
A existência de blogues (ou sites) deste género é tanto mais importante quanto, não poucas vezes, a televisão é reduzida a uma fonte automática de "conteúdos", evitando-se a salutar avaliação de alternativas. Não é caso único, como é óbvio (aliás, o "Irreal TV" tem o cuidado de oferecer uma lista imensa de links para bibliotecas online, revistas científicas, observatórios, espaços de crítica, etc.). Seja como for, no contexto português, este é um dos espaços que ajuda a manter a serena resistência à demagogia televisiva dos nossos tempos. Dito de outro modo não é verdade que a televisão, seja ela qual for, exista como um dado "natural" ou "inquestionável". Por isso mesmo, discutir as suas opções e efeitos é um princípio essencial para reforçar a democraticidade da paisagem mediática.
João Lopes
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