Em torno desta pergunta - levantada insistentemente há pouco mais de um mês, quando os motins nos subúrbios da capital francesa provocaram o espanto da Europa e do mundo - digladiaram-se as mais contraditórias teses. Dos cenários dantescos que vêem na imigração a raiz de todos os males à sociologia barata de alguns cronistas (capazes de desculpar o indesculpável, como o incêndio de bibliotecas e creches, sempre à luz dos traumas da exclusão), houve matéria para todos os exageros, relativismos e cortinas de fumo.
A verdade é que o problema não cabe na evidência simples que a lógica dos soundbytes exige. O que se passou nos bairros sociais parisienses não foi uma Intifada nem um epifenómeno menor - foi antes o afloramento de uma realidade que tendemos a esconder debaixo do tapete, um sinal das tensões que persistem nas sociedades ocidentais mais desenvolvidas, à espera de rebentar. Esquecer isto, quando a revolta começa a desaparecer das agendas mediáticas, seria um erro crasso.
Publicado pouco antes da explosão da "bomba social" francesa, como que antecipando-a, Caminhos para a Integração - Condições de vida, aspirações e identidades de jovens descendentes de famílias imigrantes na Europa (editora 90º) recolhe textos apresentados num colóquio internacional, em 2003, e o mínimo que se pode dizer é que o diagnóstico do problema há muito que estava feito. A ilustrar esta obra necessária, imagens de um ateliê fotográfico realizado com jovens de bairros difíceis da periferia de Lisboa (Cova da Moura, Fontainhas, Bobadela).
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