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Ensino da Matemática é mecanizado

por

elsa costa e silva  

O ensino da Matemática em Portugal é excessivamente "mecanizado" e não leva os alunos a pensar. Estas são duas das conclusões de um teste de diagnóstico - realizado na área tutelada pela Direcção Regional de Educação do Centro - sobre as dificuldades de aprendizagem que explicam os consecutivos maus desempenhos dos alunos portugueses na disciplina.

O Projecto Matemática Ensino, da Universidade de Aveiro, envolveu 5778 alunos do 9.º ano e 935 do 12.º Ao todo, foram 148 as escolas que participaram neste teste de diagnóstico, que teve a vantagem de ser realizado por via informática. "Este é um novo instrumento para avaliar de forma fácil, barata e acessível, que é possível replicar pelo país todo", explica António Batel, coordenador do projecto.

Por outro lado, o investigador salienta que este estudo "provou o que, de uma forma empírica, se procurava saber há já algum tempo onde estão as principais dificuldades dos alunos". E para António Batel, o problema reside numa excessiva mecanização do ensino: "Não se leva os alunos a pensar e falta promover a ligação a outras áreas." Ou seja, não se explica "para que serve a Matemática" e a disciplina adquire assim um carácter abstracto que repele o interesse da maioria dos alunos. A área da geometria foi a que demonstrou, particularmente, a dificuldade dos estudantes em pensar.

Este projecto - que tem ainda por objectivo criar um observatório permanente - mostrou, para o 9.º ano, que existe uma grande variação de resultados, nomeadamente nas áreas de "números e cálculo" e "geometria". No ano que antecede a entrada no ensino superior, este teste de diagnóstico mostrou que, apesar de não haver nenhum objectivo com resultados negativos, 50% dos pontos principais estão muito próximos do limiar que lhes permite atingir a nota positiva. Os resultados foram ainda apresentados por distritos, o que permite analisar as disparidades regionais.

Os testes, realizados em Outubro - ou seja, no início do ano lectivo -, levaram os investigadores a optar por um teste com nível de dificuldade baixo. Por outro lado, os alunos não foram submetidos a qualquer tipo de preparação prévia. Dados os resultados positivos desta experiência, os investigadores esperam poder alargar o projecto a nível nacional e repetir o teste de diagnóstico no final do segundo período, como uma vertente vocacionada para a resolução de problemas.


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